Bebê até 1 ano

Volta às aulas: hora de observar a visão das crianças

Pais e professores devem ficar atentos ao comportamento das crianças para identificar qualquer problema de visão aparente

Início de ano letivo, época ideal para pais e professores ficarem atentos aos problemas de visão das crianças. Não raras vezes, milhares delas, nos primeiros anos de vida escolar, são impedidas de ter acesso ao conhecimento. Parecem crianças desligadas, sem atenção, as quais não demonstram interesse e apresentam grande dificuldade em aprender. Pais e professores costumam atribuir esse comportamento a uma incapacidade “natural” do aluno para a aprendizagem.

Mero engano. De acordo com Dorotéia Matsuura, oftalmo-pediatra do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), “muitos problemas de visão ocorridos nessa idade são confundidos com preguiça ou pouca vontade de estudar. Também pudera. A criança que tem dificuldade de leitura ou de visão não consegue acompanhar o ritmo dos colegas”.

Cabe aos pais e professores perceberem comportamentos que evidenciem essas deficiências visuais. Os indícios são vários e podem ser percebidos. “Em casa, por exemplo, quando a criança chega muito próximo à televisão, sente dores de cabeça constantes, tem que franzir a testa para conseguir ler ou enxergar algo e esfrega os olhos com freqüência. Na escola, demora para copiar as atividades, falta de atenção ou necessidade de sentar muito perto do quadro-negro”, relaciona a médica.

Cenário - As estatísticas assustam. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), 22,9% dos casos de abandono escolar são motivados pela dificuldade de enxergar. Os pais devem saber que 30% das crianças apresentam algum tipo de doença nos olhos e 20% dessas precisam de óculos ainda na idade escolar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 500 mil crianças ficam cegas a cada ano.

As patologias que assombram a visão dos pequeninos são muitas. Mas entre as principais estão os erros refracionais (miopia, astigmatismo, hipermetropia), a ambliopia (”olho preguiçoso”), o estrabismo e a insuficiência de convergência. Os casos podem ocorrer simultaneamente, mas cada um exige tratamento específico. Dorotéia alerta que “o ideal é levar a criança para uma consulta de rotina ao oftalmologista uma vez por ano, mesmo os bebês, a partir do primeiro ano de vida. Caso seja detectado algum problema, essa periodicidade cai para visitas a cada seis meses ou consultas trimestrais. Quanto mais cedo for detectada a deficiência, maiores são as chances de cura, uma vez que o olho humano adquire sua forma definitiva aos sete anos de idade”.

Em tempo - Foi graças a um diagnóstico precoce que Anacélia Martins, 40 anos, psicóloga, conseguiu evitar problemas maiores de visão em sua filha, Amanda Martins, hoje com 8 anos. “Na escolinha, minha filha (que então tinha 5 anos de idade) vivia reclamando de dores de cabeça, dizia que a visão embaçava ao tentar ler o quadro e acabava forçando muito as vistas. Então conversei com a professora, pedi que a trocasse de lugar, levei-a a um oftalmologista. Ele diagnosticou estrabismo e ambliopia”, conta. Foram mais de dois anos de tratamento incluindo exercícios oculares, tampão e uso de óculos, até Amanda ficar totalmente curada. “Sei que se demorasse mais um pouco para identificar estes problemas de visão em minha filha, correríamos o risco de tornarem-se irreversíveis”, reconhece a mãe.

Escola e escolinha – Há sintomas da presença de problemas de visão evidentes no comportamento da criança que podem ser percebidos desde cedo pelos pais, em casa, e, na escola, pelos professores. A oftalmologista do HOB relaciona alguns:

Até dois anos de idade:

  • Falta de reação a estímulos luminosos
  • Aversão à luz
  • Lacrimejamento excessivo
  • Olhos mantidos fechados por muito tempo
  • "Olho torto"
  • Pupila dilatada, opaca ou com reflexo luminoso
  • Olhos vermelhos e com secreção
  • Tremor ocular

A partir dos três anos de idade:

  • Dor ou coceira nos olhos
  • Dificuldade em distinguir cores
  • "Olho torto"
  • Testa franzida para focar imagens
  • Assistir televisão muito próximo ao aparelho
  • Dores de cabeça após leitura e/ou a jornada escolar
  • Olhos vermelhos e irritados
  • Dificuldade em enxergar o conteúdo escrito no quadro em sala de aula
  • Desinteresse em sala de aula
  • Lentidão ao copiar as informações
  • Aproximar demais dos olhos livros e cadernos para ler e escrever

 

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