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Sol, verão e o Consenso Brasileiro de Fotoproteção

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Estamos chegando à época mais esperada do ano: O VERÃO. E junto com o clima: AS FÉRIAS.

Que combinação fantástica, não é mesmo?  

Dormir: quando quiser até a hora de se cansar de dormir.

Comer: todas as tentações geladas e deliciosas dessa estação (sorvetes, sucos, etc).

Relaxar: sem se preocupar com as responsabilidades do dia-a-dia, com prazos, com provas.

Curtir: diversão e lazer, praia e piscina, com amigos, namorar, baladas.

Bebê brincando na praia - Foto: mangostock/Shutterstock.com

Apesar disso, e até por causa disso, é um período em que os pediatras ficam muito mais chatos do que são normalmente. Nós nos transformamos no “grilo falante” (será que alguém sabe o que é ou ainda se lembra disso?) da sua vida. Só se escuta “isso não pode”, “melhor não”, “cuidado” da boca dos pediatras.

Por mais chato que isso possa parecer, essa é uma das principais funções do médico: a informação. Sem ela, muitos problemas não são evitados. Com a informação clara, simples, bem divulgada, cada um pode tomar suas decisões, sem a famosa frase: “Mas eu não sabia disso”.

E um dos maiores aliados nessa proteção foi lançado em 28 de novembro de 2.013, com as recomendações da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e que traz informações importantíssimas sobre o assunto: o 1º CONSENSO BRASILEIRO DE FOTOPROTEÇÃO

Nesse documento, estão explicadas as ações dos raios solares em nossa pele, quais são as medidas fotoprotetoras, com dicas e orientações a respeito e a sua relação com a vitamina D. É fundamental que TODOS tomem conhecimento desse consenso, pois ele tem abrangência para crianças e adolescentes, adultos, trabalhadores externos e mídia. Aqui, quero focar especialmente nas informações e orientações sobre o que diz respeito às crianças.

O Consenso chama atenção à questão educacional sobre problemas relacionados à exposição solar e à fotoproteção, salientando a importância da informação nas escolas, para crianças e adolescentes que podem modificar hábitos futuros e inclusive dos pais, até porque, essa exposição inadequada na infância pode ser fator determinante na incidência de câncer de pele.

A pele da criança, por ser mais sensível, mais fina, é mais propensa a sofrer os efeitos prejudiciais dos raios solares, levando a queimaduras que são fatores reconhecidos no aumento da chance de incidência de melanomas (efeito cumulativo do sol). Assim, essa orientação DEVE FAZER PARTE das recomendações nas consultas de puericultura, não só agora no verão, mas durante o ano todo.

As recomendações dividem as crianças em 3 grupos distintos:

Lactentes abaixo de 6 meses

- Pelas características da pele, essas crianças não devem usar protetor solar e não devem ser expostas ao sol direto

- Sempre proteger essas crianças com chapéus, roupas, sombra.

Crianças de 6 meses a 2 anos de idade

- Não expor crianças ao sol entre 10 e 15 horas (no Nordeste, pelas características locais, entre 9 e 15 horas).

- Roupas, chapéus e sombra são fundamentais nessa fase da vida.

- Protetor solar com fator 30 ou mais e proteção UVA, com ação física (creme ou bastões são os mais recomendáveis).

Crianças acima de 2 anos de idade

- Não expor crianças ao sol entre 10 e 15 horas (no Nordeste, pelas características locais, entre 9 e 15 horas).

- Roupas, chapéus e sombra são fundamentais nessa fase da vida.

- Protetor solar com fator 30 ou mais e proteção UVA, resistentes à água e de fácil aplicação (loção cremosa e aerosol, esse último com cuidado na aplicação). 

Para todas as situações, a aplicação deve ser feita 15 minutos antes da exposição solar, em duas camadas, para aumentar a eficácia, repetida a cada 2 horas ou cada vez após a imersão em água, mesmo em caso de uso de protetores resistentes à agua.

Em relação à vitamina D, mantém-se a informação de que cerca de 90% dela é iniciada através da ação dos raios solares na pele. Segundo os consensos, níveis de vitamina D acima de 30 ng/ml são considerados normais, abaixo de 20 ng/ml são passíveis de tratamento e suplementação. Níveis entre 20 e 30 são considerados limítrofes e dependem de avaliação de cada caso para conduta.

Estudos (citados no Consenso) comprovam que 10 minutos de exposição solar diária em mãos e face seriam suficientes para a produção adequada de vitamina D. A utilização de fotoprotetores é inadequada da forma que é utilizada atualmente e, da forma que é feita, não justifica níveis baixos de vitamina D analisados ultimamente.

Assim, ainda segundo conclusões do Consenso, “a exposição de forma intencional e desprotegida não deve ser considerada como fonte para produção de vitamina D, ou para prevenção de sua deficiência” além de aumentar, consideravelmente, os riscos de câncer de pele.

P.S.: A divulgação desse consenso é importantíssima. Já em consultas tenho abordado esse tema há muito tempo (mais de 5 anos), seguindo as orientações da Academia Americana de Dermatologia, mais recentemente da Sociedade Brasileira de Pediatria e, mesmo assim, essa orientação encontra resistência dos pais.

Cuidados com a pele no outono (publicada em 31/03/2008)

Crianças sob o sol (publicada em 01/12/2010).

Proteção solar no verão (resposta de e-mail, publicada no site em 31/12/2010)

Fim de férias?! E ainda tem muito verão pela frente... (publicada no Guia do Bebê em 16/01/2013).

Além dessas recomendações, ainda há outras sobre hidratação, alimentação, mais cuidados com viagens... Interessa saber? Rsrs.

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