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Hora de Dormir: O Sono - parte 5

Vamos começar a dormir?

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Já conhecemos a importância de dormiras fases e os estágios do sononossas necessidades de sono em cada faixa etária e o que acontece com nosso organismo hormonal, enquanto dormimos.

O sono é um tema tão importante e sua falta pode acarretar tantos problemas que são escritos, a cada dia, mais e mais livros sobre o assunto para ensinar técnicas de como fazer uma criança dormir, todos eles prometendo e garantindo sucesso total nessa empreitada, para algo que é fisiológico e deve acontecer naturalmente se nós não atrapalharmos.

O Encantador de Bebês, Nana Nenê, O Sono do meu Bebê, O Sono das Crianças - Para Pais e Cuidadores, 12 horas de sono com 12 semanas de vida, entre muitos outros, com métodos de condicionamento, treinamento, convencimento, acolhimento são parte do “arsenal” que cada família tenta para obter, o quanto antes e da forma mais definitiva possível, o sossego de uma noite bem dormida depois que nasce seu filho.

Papai e bebê dormindo juntos - Foto: Ilya Andriyanov/ShutterStock

Todos os caminhos levam a Roma (conhece isso?). Se você tiver tempo, paciência, dinheiro para ver todos esses textos, perceberá que eles mostram visões semelhantes de um mesmo problema, com tentativas de generalizar uma questão que, em grande parte das vezes, é mais individual, e soluções também muito semelhantes, mudando um pouco as técnicas que, ao final, quase sempre levam ao mesmo objetivo: fazer uma criança dormir bem. 

Uma das aulas do último Congresso Paulista de Pediatria (2013) foi dedicado à Puericultura do Sono e vou transcrever aqui, nessa matéria de hoje, o que foi falado cientificamente a respeito dessa questão, juntamente com meus comentários.

PUERICULTURA – (do latim puer, pueris, criança) é a ciência médica que se dedica ao estudo dos cuidados com o ser humano em desenvolvimento, mais especificamente com o acompanhamento integral do processo do desenvolvimento infantil.

Processo fisiológico influenciado por mecanismos intrínsecos, temperatura, normas culturais, condições ambientais e em crianças pela ação dos pais e cuidadores (Pessoa, 2008).

Apesar de simples e aparentemente lógicas, acho que essas observações devem ser levadas em conta:

  • Não dormir o suficiente produz um estado de “sonolência” que só é aliviado pelo sono. A falta de sono gera necessidade de sono. Quanto mais acordado se fica, maior a necessidade de dormir. 
  • A privação crônica de sono prejudica o desenvolvimento da criança. 
  • Ninguém nasce sabendo dormir. Nós criamos “rituais de adormecimento”. E dormir se aprende desde a infância bem remota.
  • Quanto mais crescemos, desde o nascimento, menor é a nossa necessidade de sono.

Relógio biológico

Todas as nossas funções seguem um ritmo interno, determinado e modificado por vários fatores, conhecido como relógio biológico. É por causa dele que estamos mais despertos e nossos órgãos são mais ativos de dia e mais “repousantes” à noite. O resultado disso é que temos ritmos biológicos dependentes de nossas características individuais, mesmo que de forma geral, até por questões sociais e culturais, eles sejam muito semelhantes na mesma faixa etária e sexo.

Os ritmos biológicos podem tem diferentes frequências durante um determinado período. Os que ocorrem com uma periodicidade próxima a 24 horas são chamados de circadianos, os com período maior que 28 horas são chamados de infradianos e os menores que 20 horas de ultradianos.

Assim, até os 3 meses de idade, o bebê tem um sono em ritmo ultradiano (sem um ritmo adequado, até porque sua glândula pineal – lembra dela? – é rudimentar e não sofre a ação adequada da melatonina – claro / escuro) e queremos que ele atinja o ritmo circadiano (do latim “cerca diem” que quer dizer cerca de um dia), que é viável apenas após essa época. Ou seja, a transição do sono fragmentado para sono consolidado só pode acontecer conforme a criança cresce. Qualquer tentativa de treinamento, condicionamento antes dos 3 meses de idade é ineficaz. O que se pode fazer nessa idade é criar condições favoráveis externas, ambientais, que aumentem as chances de um bebê fazer essa transição com o mínimo de sofrimento possível.  

Ele não dorme. Por que? Por que??? Por queeeee????????

Essa é uma pergunta importantíssima a ser respondida antes de se tomar qualquer atitude. Já sabemos que até os 3 a 4 meses, por conta do ritmo ultradiano do bebê ele não tem horário para comer, dormir, evacuar. Há muitas razões para que seu bebê ou criança não durma: fome, sede, calor, frio, doenças, ritmo da casa, falta de rotina, falta de limites, não amadurecimento de seus sistemas entre outros.

Assim, após entender qual a causa para isso em cada fase da vida, fica menos complicado resolver a situação. Esse é um resumo simplificado do ritmo de sono por idade.


NecessidadeSonecaSono noturnoAlimentação 
RN a 2 meses16 a 20 horas
(ultradiano)
---Sem horário certoSem horário certo
3 a 4 mesesUltradiano / circadiano---Apto a ser mais contínuoA cada 3 a 4 horas dia e noite
6 meses14 horas
Circadiano
2 a 3 vezes ao diaPouco mais contínuoDiurna exclusiva
12 meses13 horas
Circadiano
1 a 2 vezes ao diaContínuoDiurna exclusiva
3 a 5 anos11 a 12 horas
Circadiano
Deixa de dormir de diaContínuoDiurna exclusiva
6 a 12 anos9 a 11 horas
Circadiano
ALERTA se aconteceContínuoDiurna exclusiva
Adolescente e adulto8 a 9 horas
Circadiano
ALERTA se aconteceContínuoDiurna exclusiva

Na próxima semana vamos mais a fundo nesse tema. Mas antes de me despedir, vale ressaltar alguns pontos:

  • Lactentes (até 1 ano de idade) com fome, não dormem. Assim, é necessário alimentar (de preferência amamentar) quem tem fome à noite.
  • Lactentes nem sempre acordam por fome. Assim, é importante não alimentar quem não acorda por fome (mesmo quem usa livre demanda) à noite.

Como diferenciar um do outro? Esse é um trabalho para o Chapolin Colorado???? Calma. Esse é um ponto que vamos abordar nas próximas semanas.

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