Dar de mamar é bom! | Denise Domingos Agosto 2007 |
Dar de mamar é bom!
Dar de mamar é instinto.
Pede relaxamento, presença, entrega e tempo.
Tempo para adaptar.
Tempo para o leite fluir.
Tempo da boquinha achar o bico.
Encaixe perfeito.
Respiração.
Não sofre influência do mundo moderno.
Não muda com raça, cultura ou classe.
Dar de mamar é simples e pleno de amor.
Sensação só de mãe e de filho.
Aquela puxada que dá dor e prazer.
Aquela certeza de que o alimento é puro e suficiente.
Aquieta mãe e filho num silêncio sagrado.
Dar de mamar é bom!
Estamos no mês dedicado ao aleitamento materno. Quem mora no Brasil está acompanhando várias campanhas espalhadas pelos estados que alertam para o benefício dessa prática simples e cheia de vida.
Antes de entrar no tema, não posso deixar de agradecer a Andréia e Nívia - que contribuíram com suas experiências para a matéria Superação. Elas fizeram muita gente se identificar com suas histórias e a participação delas provou o quanto a troca é importante e o tanto que temos para contar umas às outras. Surgiram tantas outras lindas e emocionantes histórias superadas, que um dia terei que abrir mais um espaço para contá-las. Engraçado é que quando comecei a escrever esta coluna pautei alguns temas e pretendia segui-los mês a mês. Para minha grata surpresa, Vida de Mãe não é privilégio da mãe que escreve e serve de mediadora. Descobri o óbvio: nossas idéias são iguais, diferentes, novas, velhas, se transformam e se somam. Isso é muito bom.
Duas mulheres
A Vida de Mãe sobre Amamentação conta a experiência do dia-a-dia de duas mulheres no período que deram de mamar. Susana Werner e Adriana Bombom são mães conhecidas da maioria de nós porque estão volta e meia na mídia, mas, é claro, têm as mesmas dúvidas e passam pelos mesmos caminhos que outras mães.
Susana acaba de completar 30 anos e mora na Itália com os filhos (Cauet e Giulia) e o marido, Júlio César, que é goleiro do Inter. Adriana, 33 anos, mora no Rio de Janeiro, é mãe de Olívia e Thalita, apresenta um programa de TV, e é casada com o sambista super boa praça Dudu Nobre.
Susana
A atriz amamentou duas vezes. Foram dois momentos muito diferentes um do outro - o que a credencia a dar algumas dicas que adquiriu na prática. “Cauet, o meu filho mais velho, que completa cinco anos em outubro desse ano, mamou apenas até os cinco meses porque nasceu prematuro - com oito meses incompletos. Em pouco tempo tive que acrescentar outro leite de reforço ao materno. Há mães que pensam que dando outro leite, o leite do peito vai secar e param de dar de mamar. Isso não é verdade. Tem que insistir. Mesmo sendo marinheira de primeira viagem, eu forcei - por mais que ele também recebesse outro leite. Não parei de oferecer o peito, do contrário, ele não teria mamado nem esses cinco meses”, diz.
Quando nasceu a caçula, Susana já não precisou insistir para que ela se adaptasse ao peito: “Na minha segunda viagem - a Giulia, que comemorou seus dois anos em julho - foi tudo diferente. Ela mamou um ano direto no peito. Não aceitava nada, só o leite do seio. Giulia passou esse tempo feliz da vida; foi ótimo para ela. Para mim foi desesperador. Eu ficava cansada. Amamentei em tempo integral e isso me deixou exausta. Mas tudo isso passa e hoje eu sinto saudade das sensações boas e ruins dessa época”.
Susana é uma incentivadora de carteira da amamentação. “Não só porque contém todos os nutrientes de que a criança precisa, mas porque é um momento de afeto. Este laço entre mãe e filho é importantíssimo”.
Bem-humorada e muito ativa, Susana conta que passou muito bem pelo período de gestação. “Foi uma época maravilhosa. Não tive, graças a Deus, qualquer problema. Não me entreguei ao sono e a preguiça. Na primeira gravidez deixei rolar. Comi de tudo. Afinal, tudo era novidade: sensações diferentes, um novo corpo... Engordei 18 quilos. Compreendi de verdade o que era a gestação na segunda vez”, confessa.
Susana Werner, assim como muitas outras mulheres, se preocupou com a forma do corpo após ser mãe por duas vezes e ter amamentado: “Não é mito quando dizem que o peito cai. Eu mesma achava que isso era besteira, não é. Acontece mesmo! Meu peito era a coisa mais linda do mundo, todo mundo dizia. Depois, ele ficou flácido, meio murcho e com aquela pele sobrando. Após o segundo filho me rendi e coloquei silicone. Vale à pena amamentar”.
Bombom
Adriana Bombom admite que não amamentou o tempo que gostaria as suas filhas, Olívia, de 5 anos, e Thalita, de 4. “Amamentei apenas de três a quatro meses as meninas. Eu tinha que voltar logo ao trabalho. O ritmo das gravações é bem acelerado; tudo muito tumultuado. Não consegui conciliar o trabalho com os horários das mamadas. Com essa correria, meu leite secou e eu não ia deixar as crianças com fome!”, justificou a apresentadora do programa Bom Demais. Apesar dessa medida, ela não a aconselha às outras mães: “Essa fase é muito importante. Esse contato maior com a criança é muito gostoso. Sem falar do quanto o leite materno é necessário ao crescimento da criança. Falo para as minhas amigas não fazerem como eu. É preciso se esforçar para levar o período da amamentação o máximo possível”.

Vaidosa, Adriana Bombom é muito prática quando o assunto é sua beleza e para quem reclama que o seio vai ficar flácido ela indica. “Troca, querida, coloca outro”, brinca, referindo-se às três cirurgias a que se submeteu de implante de silicone nos seios (uma antes da primeira gravidez e duas após o parto das filhas).

Brincadeiras à parte, é claro que o conselho da Bombom não vale para todas. Cada caso é um caso. A importância do estado do seio (firme ou menos durinho) depende da história de cada uma. Mesmo porque normalmente a rotina não é gerar, parir, amamentar e... colocar silicone. Vale, sim, a iniciativa seja qual for, em busca de manter a auto-estima em dia. Vale mais ainda nos aprofundarmos no quanto a amamentação é fundamental para a mãe e para o bebê. Já imaginaram que esse é o primeiro alimento humano e o adoramos? Depois, nosso famoso livre arbítrio, muitas vezes, nos leva a um cardápio que nem nós acreditamos que o seguimos. Leite materno é o alimento do afeto, da saúde, do bem-estar do espírito e ninguém paga por isso! A fórmula é tão simples que assusta e aí complicamos. Dê o peito. É tudo de bom.
Vamos mamar!
O preparo do seio começa na gravidez. Dicas:
Primeiros passos:
Para evitar as incômodas rachaduras:
Aqui no Guia do Bebê existe uma seção dedicada exclusivamente à Amamentação, clique aqui e confira!
Continuem enviando suas críticas e sugestões: dendomingos@gmail.com
Tudo de bom para todas!
Denise
Um super beijo para meu filhão, Lucílio Junior, que no dia 29 de agosto completa 12 anos!
Após a publicação deste texto.
Compartilhar é a função de Vida de Mãe. Abrimos o tema da última coluna, “Aleitamento materno”, de forma bem lúdica (respeitando a dor e o incômodo que também acompanha o tema amamentação) porque o assunto é amplamente divulgado em diversas campanhas. Mas tenho que dividir com vocês os depoimentos de Rosana Jansson e Silvia Letícia:
Rosana é mãe de Bárbara, de 13 anos, e Davi, de quatro. O caçula nasceu de oito meses e precisou dos recursos de uma UTI. Segue trechos do relato: “Foram dias angustiantes até que o médico pediatra disse que eu poderia pegá-lo um pouquinho no colo. Abriram a estufa e segurei meu pequeno menino, que até então só olhava entre os vidros. Coloquei-o no meu colo com a ajuda da enfermeira, que vibrou de alegria junto comigo. Não podíamos tirá-lo do respirador. Ai meu Deus! Aqueles amontoados de fios, aquela sonda na sua boquinha em vez de ter meu peito... Ele parecia que estava em êxtase ao sentir o cheiro do meu peito (mesmo estando ele com uma sonda gástrica). Coloquei meu peito mais perto para ele sentir o meu calor e então ele colocou sua boquinha e sugou pela primeira vez. O médico ficou pasmo, retirou a sonda e deixou-o sugar. Ele mamou, mamou e saiu da UTI em 24 horas. Eu conto isso com muito orgulho, pois amamentar é se doar para uma vida que acaba de chegar”.
Silvia fala sobre os primeiros meses do filho José Bassy:
“É um milagre alimentar um ser somente com o que a natureza nos dá, mas não imaginei que fosse tão difícil. Na primeira semana passei por aquelas dificuldades básicas da adaptação: sensibilidade nos seios, fissuras... Mas me sentia feliz porque sabia que era o melhor para o bebê. Na segunda semana meu filho começou a vomitar. A médica dizia que era refluxo. Ele só mamava de 3 a 5 minutos, chorava e logo vomitava. Eu o amamentava de hora em hora, pois ele chorava muito, não mamava o suficiente e ainda vomitava quase em todas as mamadas. Em duas semanas perdi 10 quilos. Descobrimos que ele tinha estenose*. Com 14 dias de vida foi operado. Dez dias após a cirurgia meu filho não queria mamar, chorava e ficava super irritado. Saber dos benefícios do leite materno me dava força para continuar tentando, mas a hora de amamentar era um tormento. Logo meu filho voltou a vomitar e procurei imediatamente saber por quê. Descobrimos outra estenose, desta vez de ureter. A irritação e os vômitos aconteciam porque ele já estava com infecção urinária. Aos cinco meses ele operou para resolver esse problema. Ao ler a coluna pensei em tudo que passei e percebi que eu e meu filho somos vitoriosos. Ele acabou de completar oito meses eu consegui amamentá-lo exclusivamente com meu leite”.
*estenose = estreitamento anormal de um vaso sanguíneo, outro órgão ou estrutura tubular.
Estamos sempre repetindo “cada caso é um caso”. Também sou mãe de um menino de 12 anos e uma menina de seis. Ele nasceu prematuro e mamou apenas dois meses e precisou do auxílio de leito em pó especial e ela mamou por dois anos! Estão lindos e saudáveis. Dar de mamar é muito bom! Vamos fazer o nosso possível e amar sempre nossos filhotes. Ainda sobre o tema: Juliana A. Pinto nos escreveu alertando que o uso da casca de banana e de mamão contra rachadura do seio é um mito e pode ocasionar fungos no local. Valeu a dica, com todo respeito as nossas avós!
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