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Síndrome do bebê sacudido: o limite entre cuidado e abuso

Muitos mais comum do que imaginamos, a síndrome do bebê sacudido tem sido muito frequente nas emergências de hospitais

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O bebê entre seis semanas e cinco meses de idade é trazido pelos pais ou responsável ao hospital, alegando que a criança repentinamente começou a passar mal. Os sintomas variam de letargia, tremores, vômitos até convulsão, estupor ou coma, podendo ser capaz de sugar ou engolir, emitir sons ou seguir um objeto com os olhos. Entretanto, o bebê não apresenta sinais de lesões físicas que sejam aparentes.

O pai ou a mãe negam conhecer a causa dessa condição ou alegam que o bebê caiu. Com alguns exames minuciosos poderá ou não revelar escoriações que indicam maus-tratos. Estudos radiológicos (escaneamento CT possivelmente seguido de MRI) identificam hemorragia no cérebro ou na retina, em decorrência do bebê ter sido violentamente sacudido (AAP Comittee on Child Abuse and Neglecet, 2001; National Center on Shaken Baby Syndrome, 2000).

A Síndrome do bebê sacudido - Foto: TawnyNina / pixabay.com

A Síndrome do Bebê Sacudido é uma das formas de abuso encontrada em crianças majoritariamente com menos de 2 anos de idade, principalmente em bebês, que na maioria dos casos resulta em um trauma grave e irreversível. Frequentemente é diagnosticado de forma errada e sub-relatada. Sua verdadeira incidência se torna desconhecida, mas as estimativas variam de 600 a 1400 casos a cada ano só nos Estados Unidos. Cerca de 20% dessas crianças veem a óbito depois de serem sacudidas por alguns dias. Os sobreviventes geralmente ficam com sequelas, sofrendo com uma série de deficiências, transtornos de aprendizagem e comportamental a lesões neurológicas, retardo mental, paralisia cerebral, paralisia ou cegueira, ou ainda podendo ficar em estado vegetativo permanente. (Conway, 2003; National Center on Shaken Baby Syndrome).

Um cuidador incapaz de lidar com o estresse poderá perder o controle e sacudir um bebê que chora muito, em uma tentativa desesperada de acalmar a criança. Se o bebê ficar sonolento ou perder a consciência, a pessoa poderá pensar que “as sacudidas” foram eficazes, com isso, podendo vir a correr o risco de repetir novamente esse gesto abusivo. Muitas vezes após isso acontecer, o cuidador coloca o bebê inconsciente na cama, achando que o mesmo está com sono e que adormeceu. Diante disso, a criança após lesionada perde a oportunidade de receber tratamento imediato.

É necessário compreendermos que o choro do bebê é normal, mas nem sempre o bebê chora porque está com fome, dor, sono, entre outros. O choro, sim, muitas vezes, pode vir sinalizar algo, mas também pode não significar nada. Diante disso, o cuidador não precisa perder o controle emocional ao se deparar com o choro do bebê. É preciso averiguar a causa desse choro e nunca sacudir o bebê.

Muitos cuidadores “sacodem” o bebê no intuito de acalmar o choro, porém, existem casos de bebês que foram “sacudidos” durante o momento que alguém brincava com ele. É preciso ter muito cuidado, pois essa é uma fase muito delicada e um pequeno gesto pode causar danos irreversíveis.
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