Prematuro

Pais prematuros
O bebê chegou antes... encontrando os pais ainda prematuros!

Depois do resultado positivo, começam os preparativos: o enxoval, o quarto, o carrinho, o enfeite para a porta da maternidade, a camisola para o grande dia...

Durante 9 meses o casal espera ansiosamente o dia em que finalmente conhecerão e terão seu filho nos braços.

Infelizmente, nem sempre as coisas saem como planejamos, não temos o controle total e absoluto das coisas, especialmente no que se refere à gestação e ao parto.

E o bebê chega antes, prematuro, e os novos pais, também prematuros, pois ainda não estava na hora dele nascer, têm que aprender a lidar com aquele bebê: pequeno, imaturo, sonolento, imprevisível e frágil.

Impossível não sentir-se frustrado, culpado. Num primeiro momento, somos pegos de surpresa... passado o susto inicial, buscamos possíveis explicações para o acontecido: o que fizemos de errado, qual o sinal que não percebemos, qual o cuidado que não tomamos... de que forma poderíamos ter evitado.

Imaginamos como seria o nosso filho, com quem seria parecido, seria tranqüilo, dormiria muito e mamaria o tempo todo. E chega um outro bebê, diferente daquele sonhado.

O primeiro contato é muito importante, é a chance de finalmente sermos apresentados: mãe, filho e pai. Algumas vezes acontece ainda na sala de parto. Outras, infelizmente, muitas horas depois, através das portinhas de uma incubadora.

Todo bebê precisa de colo, carinho, atenção e ouvir a voz da mãe e do pai... principalmente o prematuro. É a chance de sentir-se em casa de novo, aconchegado nos braços da mãe, ouvindo sua voz e as batidas do seu coração, música esta conhecida e ouvida durante todo o tempo em que esteve no útero.

Mesmo quando o bebê precisa dos cuidados especiais de uma UTI neonatal, o colo é possível e importantíssimo. Alguns pais tem receio de machucar o bebê e evitam tocá-lo. É uma pena, pois ambos estão perdendo a chance de se acariciarem.

Mesmo quando o bebê que chega é diferente do que imaginávamos, não podemos esquecer que é nosso filho, que já está aqui, e que não podemos perder a chance de conviver com ele.

É o nosso bebê, aquele por quem estávamos esperando, aquele que traz consigo esperança, fé, alegria e a possibilidade da continuação.

Não desista dele... pois ele não desistiu de você... chegou antes, mas está pronto para aprender tudo o que você quiser ensinar. Aproveite e aprenda um pouco com ele também!!!

Boa sorte!

Clarice Skalkowicz Jreissati
Psicóloga

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