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Rachel Sheherazade

A jornalista fala sobre maternidade e profissão

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Rachel Sheherazade é apresentadora do jornal SBT Brasil e foi descoberta pelo comunicador e empresário Sílvio Santos depois que sua opinião sobre o Carnaval caiu nas teias e nas graças da Internet, agradando e dando voz a milhões de brasileiros. Além de jornalista, Rachel é também escritora de livros infantis, mãe da Clara (5 anos) e do Gabriel (3 anos), esposa de Rodrigo, dona de casa, e mais um monte de coisas. O Guia do Bebê conversou com a jornalista e descobriu como ela consegue planejar a vida para dar conta de todas essas funções com maestria.

GUIA DO BEBÊ: Como você concilia o trabalho com a maternidade?

RACHEL SHEHERAZADE: É difícil, mas não impossível. O segredo é separar os “departamentos”. Pela manhã, sou mãe em tempo integral. Cuido das lições da escola ao banho das crianças. Participo das brincadeiras, levo ao esporte, almoço com eles. Meu outro “expediente” é como jornalista. É exatamente no horário que as crianças estão na escola. Quando elas chegam, são recebidas pelo pai, que me “rende” nos cuidados com os filhos. E quando eu chego do SBT, volto ao meu doce papel de mãe. É hora de por as crianças na cama, ler uma historinha, orar a Deus e dar “boa noite” aos meus dois anjinhos.

Ana Clara, a mamãe Rachel, o papai Rodrigo e Gabriel, no aniversário de 5 anos de Ana Clara - Foto: arquivo pessoal

GUIA DO BEBÊ: Você conta com a ajuda de alguém, como uma babá? 

RACHEL SHEHERAZADE: Para cuidar dos meus filhos, só conto com a ajuda de meu marido e de Deus, lá em cima. Sempre fiz questão de abraçar todas as obrigações que a maternidade me impõe. Aceito de bom grado e, além do mais, sou muito possessiva com meus filhos. Não abro mão de cuidar deles nem quando posso fazer isso.

GBB: Qual o papel do seu marido em relação ao dia a dia com o filhos?

RACHE: Fundamental. Sem a ajuda do Rodrigo, seria muito difícil conciliar uma carreira de sucesso e uma maternidade feliz.

GBB: Como foram as gestações? Houve alguma complicação ou foram tranquilas?

RACHEL: Minhas gestações foram momentos maravilhosos, embora com intercorrências. Nas duas gravidezes, tive descolamento de placenta. 

GBB: Quais foram os tipos de parto?

RACHEL: Ambos, cesariana.

GBB: Conseguiu amamentar seus filhos até que idade?

RACHEL: Minha primeira filha, amamentei até os 4 meses. O caçula só mamou um mês. Não tinha muito leite, nem quis estimular. Como tinha que voltar logo à TV, fiz dieta para voltar ao meu peso.

GBB: Já precisou faltar a algum compromisso com os filhos por causa do trabalho?

RACHEL: Sim. Já perdi várias reuniões de pais. E uma vez, perdi uma apresentação de dança da minha filha. Lamentei, mas não me culpo. 

GBB: Você já precisou se ausentar do trabalho por causa dos filhos?

RACHEL: Certa vez já tive que me ausentar do trabalho para cuidar do filho adoentado. Mas nunca tive problema com as empresas onde trabalhei. Sempre foram compreensivas. E eu sempre fui uma funcionária exemplar. Não faltaria ao trabalho sem um motivo muito pertinente.

GBB: Você acha que atualmente existem mais empresas que respeitam suas funcionárias mulheres que são mães ou ainda parecem preferir mulheres sem filhos?

RACHEL: Não sei dimensionar isso. Só posso falar das empresas onde eu trabalhei, e posso assegurar que o profissionalismo da colaboradora deve falar mais alto do que a maternidade, que não é um problema para o empregador. A mulher mãe torna-se uma profissional ainda mais dedicada e completa. Pesquisas sérias já apontaram isso.

GBB: Você estava trabalhando quando ficou grávida? Passou por algum tipo de constrangimento por parte da chefia e seus colegas de trabalho após a notícia da gravidez?

RACHEL: Das duas vezes que engravidei estava trabalhando na TV e nunca passei por qualquer constrangimento pelo fato de estar gestante. Pelo contrário: fui até muito paparicada pelos chefes e colegas.

GBB: Você também escreve livros infantis. Como tomou gosto pela leitura?

RACHEL: Sempre gostei de ler. Desde criança. Deve ser porque meu pai é leitor assíduo. Assinava várias revistas, comprava muitos livros e coleções. É um homem muito culto. O exemplo dele certamente me inspirou.

GBB: E quando percebeu que se tornaria uma escritora?

RACHEL: Escrevi meus primeiros livros aos 8 anos de idade. Achava que quando crescesse, seria escritora.

GBB: Qual o papel da leitura para sua vida profissional?

RACHEL: A leitura é o combustível para o meu trabalho. Não é só fonte de atualização, informação, mas também de criatividade. 

GBB: E como você incentiva seus filhos a lerem?

RACHEL: Sempre leio para eles. Antes de deitarem, depois do almoço, enquanto aguardamos o transporte escolar... Quando vamos à shopping centers, as livrarias são parada obrigatória. Eles adoram. E quando alguém quer presenteá-los e me pede sugestão, sou enfática: - Dê um livro.

GBB: Que estratégia você considera boa para incentivar as crianças a lerem mesmo quando os pais não têm esse gosto pelo leitura?

RACHEL: A leitura é uma viagem muito prazerosa. Os pais que não leem precisam descobrir isso. Costumo ler para meus filhos, fazer as vozes dos personagens. Incremento a leitura com interpretação teatral, faço caras e bocas. Eles adoram! Quando estou muito cansada, coloco para tocar Cds de historinhas infantis. Baixo, da internet, histórias daqueles antigos discos de vinil coloridos, lembram? São fantástico! Gosto de ouvi-las tanto quanto meus filhos.

GBB: Quais seus passatempos preferidos quando está em família? 

RACHEL: Adoro estar com meus filhos, mesmo sem um programa especial para fazer. Nós ouvimos histórias juntos, ouvimos música, cuidamos do jardim, vamos ao parquinho do condomínio, ao cinema, shopping center, ao clube... Quando não estou trabalhando estou sempre com meu marido e meus filhos. Não troco um programa em família por qualquer outro. Muitos podem pensar que é uma “overdose”, mas a infância passa tão depressa... Quero aproveitar muito bem a infância dos meus filhos. Esse tempo não volta.

Rachel com sua filha Ana Clara, Gabriel e Rodrigo - Foto: arquivo pessoal

GBB: Você reserva um tempo só para você? O que procura fazer nesses momentos?

RACHEL: Praticamente, não tenho um tempo só meu. Exceto quando estou no trabalho. Ah, quando as crianças estão fazendo esporte no clube, eu vou caminhar. É um tempo que valorizo bastante. Um tempo para meditar, pensar na vida, divagar...tempo para mim mesma.

GBB: Pretende ter mais filhos?

RACHEL: Gostaria muito de ter mais filhos. Venho de uma família grande. Tenho 5 irmãos. Adoraria ter pelo menos mais um filho, fechando nos 3. Mas, para meu marido, dois é o bastante. 

GBB: O que mais a assusta nos dias de hoje em relação ao futuro dos filhos?

RACHEL: A violência, com toda certeza. Tenho sérias dúvidas se vou querer que meus filhos cresçam num país tão perigoso quanto o nosso. E o pior é que não vejo uma luz no fim do túnel.

GBB: O que a tranquiliza em relação ao futuro dos filhos?

RACHEL: Primeiro, que Deus está no controle de tudo. Onde minhas mãos não puderem protegê-los, Deus estará lá para livrá-los do mal. Tenho fé. Depois, fico tranquila por que sei da educação que eu e meu marido damos a nossos filhos, sei dos valores que ensinamos a eles. Sei o que estamos plantando na vida dessas crianças. Tenho certeza do que vamos colher.

GBB: Que mensagem que você deixaria para as mães e leitoras do Guia do Bebê?

RACHEL: Diria que ser mãe é a maior vantagem de ser mulher. É uma dádiva divina, que nos torna melhores, mais completas, mais maduras, mais felizes. Não sei como as outras mulheres encaram a maternidade, mas eu sinto-me cumprindo minha mais importante missão nesta vida. E não importa se a maternidade nasceu do ventre ou do coração. Ser mãe é como ser um anjo na terra e ao mesmo tempo estar mais perto de Deus.

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