Notícia

Uso de chupeta cai 15% em nove anos

Pesquisa do Ministério da Saúde mostra redução expressiva do uso de bicos artificiais em menores de 12 meses entre 1999 e 2008

Levantamento do Ministério da Saúde mostra que, entre 1999 e 2008, houve redução expressiva do uso de chupeta em crianças menores de 12 meses. Em 1999, 57,7% dos bebês menores de 12 meses usavam chupeta no país. No ano passado, esse percentual caiu para 42,6%, uma variação de 15,1%. O estudo levou em consideração as 27 capitais e outros 239 municípios, o que somou informações de aproximadamente 118 mil crianças.

A queda no uso de chupetas foi percebida em todas as regiões. Maceió foi a capital que apresentou a maior redução no uso de chupeta (20 pontos percentuais). Na região Norte, apenas 25,5% das crianças menores de 12 meses usam chupeta. A região Sul possui o maior índice com 50,6%. Esses e outros dados fazem parte da II Pesquisa de Prevalência do Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e DF (PPAM), divulgada durante a Semana Mundial de Amamentação (veja outros dados do estudo, relacionados à amamentação, no Portal Saúde www.saude.gov.br) .

O Ministério da Saúde não recomenda o uso de chupeta nem de mamadeira. “Existe uma associação entre o uso de chupeta e mamadeira e a duração do aleitamento materno. A Região Norte, onde mais se amamenta no Brasil (média de 434,81 dias), apresenta menor prevalência do uso de chupeta e mamadeira”, explica Elsa Giugliani, coordenadora da Área Técnica de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde.

São considerados “bicos artificiais” tanto as mamadeiras quanto as chupetas. Na pesquisa de 2008, verificou-se que, para o total das crianças menores de 12 meses analisadas, foi freqüente também o uso de mamadeira (58,4%). O uso de mamadeira (veja quadro abaixo) foi mais registrado na região Sudeste (63,8%) e menos freqüente na região Norte (50,0%). Foi a primeira vez que o dado, uso de mamadeira, foi analisado pelo Ministério da Saúde.

DIFERENÇAS - Tanto para chupeta quanto para mamadeira, as diferenças entre as regiões Norte e Sul/Sudeste são prioritariamente culturais. Por exemplo, no Norte, há uma presença mais forte de populações indígenas. Na região Sul e Sudeste, a pressão do mercado de trabalho exige que a mulher fique mais distante do filho. Além disso, aspectos da vida moderna, como o trânsito e a distância entre o trabalho e a casa, distanciam a mulher do bebê e do aleitamento exclusivo por seis meses, o que o Ministério da Saúde preconiza.

“Ao se considerar a amamentação não apenas um ato biológico, mas também social e cultural, percebe-se que o Brasil, como um país continental, apresenta diferentes realidades e questões culturais diversas. O uso da chupeta e da mamadeira, ambos muito arraigados em determinadas regiões, por exemplo, influencia negativamente na amamentação. E isso é algo difícil de se eliminar”, exemplifica Lilian Córdova do Espírito Santo, assessora para Assuntos Relacionados ao Aleitamento Materno, da Área Técnica de Saúde da Criança.

Crianças menores de 12 meses, segundo uso de chupeta (%), em 1999 e 2008:

Capital/Região 1999 2008 b-a
NORTE 41,9 25,5 -16,4
Palmas 43,4 34,0 -9,4
Boa Vista 45,6 26,3 -19,3
Macapá 32 19,8 -12,2
Porto Velho 44,5 27,3 -17,2
Belém 35,7 22,3 -13,4
Manaus 47 27,5 -19,5
Rio Branco 48,8 32,2 -16,6
NORDESTE 58,3 43,6 -14,7
São Luís 46,4 32,1 -14,3
Teresina 39,1 29,7 -9,4
João Pessoa 58 42,6 -15,4
Natal 52,5 39 -13,4
Fortaleza 59,2 44,1 -15,1
Recife 60,3 44,9 -15,4
Maceió 65,4 44,8 -20,6
Aracaju 62,7 46,4 -16,3
Salvador 63,2 48,7 -14,5
CENTRO-OESTE 49,3 35,3 -14
Cuiabá 47,5 27,9 -19,6
Campo Grande 47,5 35,8 -11,7
Distrito Federal 47,4 33,8 -13,6
Goiânia 55,4 42,2 -13,2
SUDESTE 65,9 50,3 -15,3
Vitória 52 37 -15
Belo Horizonte 65,5 49,1 -16,4
São Paulo 66,4 51,2 -15,2
SUL 63,6 53,7 -9,9
Florianópolis 63,1 49 -14,1
Porto Alegre 69,2 59,5 -9,7
Curitiba 61,7 50,6 -11,1
BRASIL 57,7 42,6 -15,1

Crianças menores de 12 meses, segundo uso de mamadeira (%), em 2008:

Capital/Região 2008
NORTE 50
Palmas 54,8
Boa Vista 46,5
Macapá 47,7
Porto Velho 56,2
Belém 46,8
Manaus 51,8
Rio Branco 56,5
NORDESTE 60,0
São Luís 42,7
Teresina 51
João Pessoa 63,7
Natal 60,5
Fortaleza 57,8
Recife 64,9
Maceió 61
Aracaju 66,3
Salvador 63,6
CENTRO-OESTE 52,1
Cuiabá 55,8
Campo Grande 50,1
Distrito Federal 48,9
Goiânia 63,1
SUDESTE 63,8
Vitória 53,6
Rio de Janeiro 61,6
Belo Horizonte 63,4
São Paulo 64,8
SUL 57
Florianópolis 52,9
Porto Alegre 64
Curitiba 53
BRASIL 58,4

 

Esta página foi publicada em: 10/08/2009.

 

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