O Hospital e Maternidade Santa Joana atende caso raríssimo na literatura médica mundial com sucesso
Excelência médica, infra-estrutura adequada e agilidade foram os principais fatores que salvaram a vida de paciente grávida que sofreu ruptura de fígado e a vida de seu bebê.
Fortes dores no pescoço e nas costas. Estes foram os principais sintomas manifestados na paciente Amanda Rita Arantes Paton, 33 anos, grávida de 34 semanas, quando deu entrada no Pronto-Atendimento do Hospital e Maternidade Santa Joana. Tudo aconteceu muito rápido. Foram realizados exames laboratoriais que mostraram alterações de índices sanguíneos e utra-sonografia, que detectou uma pequena mancha acima do fígado.
Cerca de seis horas depois, nova bateria de exames foi realizada e os índices laboratoriais apresentaram alteração ainda mais críticas. A mancha escura detectada anteriormente se espalhava, agora, por toda cavidade abdominal. Mãe e filha poderiam morrer em questão de minutos. O obstetra e ginecologista da paciente, Dr. Arnaldo Bagdade, foi avisado e acionado da urgência e a paciente encaminhada ao Centro Cirúrgico. O procedimento tinha de ser feita com anestesia geral. Nesses casos, os médicos têm apenas dois minutos para tirar o bebê da barriga da mãe.
Foi tudo muito rápido. A equipe abriu o abdômen, tirou o bebê e cortou o cordão umbilical em apenas um minuto. Normalmente, isso leva entre quatro e cinco minutos, explica Dr. Bagdade.
Terminada a cesariana, o cirurgião encontrou a causa das dores: o fígado de Amanda tinha se rompido. Bruna nasceu bem. “Amanda teve o sangue estancado e foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intesiva, onde permaneceu por dois dias, posteriormente voltou para a sala de cirurgia para realizar o procedimento de reconstrução do fígado” diz o cirurgião responsável, Sérgio Luchesi do Hospital e Maternidade Santa Joana. Após este procedimento a paciente passou nesses 80 dias em coma induzido, durante o período passou por momentos de gravidade extrema.
A literatura médica registra apenas 120 casos no mundo de ruptura hepática durante a gestação sem causa aparente, em pacientes sem hipertensão arterial ou outro fator habitual como distúrbio de coagulação, tumores hepáticos pré-existentes que podem desencadear esta situação de emergência. Trata-se de uma intercorrência raríssima no mundo, com altos índices de mortalidade, que chega a 98%. Por isso, o diagnóstico da ruptura hepática imprescindivelmente tem de acontecer rapidamente e uma equipe multidisciplinar clínico-cirúrgica especializada e preparada para solucionar as complicações tem de ser acionada para salvar as vidas da mãe e do bebê.
Doença hipertensiva específica do período gestacional (DHEG) pode desencadear tal episódio que não é possível ser diagnosticado com antecedência. “Portanto, somente um hospital preparado para identificar, reunir a equipe necessária, determinar qual o melhor procedimento a ser adotado, com excelência médica, infra-estrutura adequada com sofisticados centros de terapia intensiva adulto e neonatal e, sobretudo, agilidade e iniciativa, oferecem chances de vida. Estamos muito orgulhosos pelo sucesso em todas etapas do atendimento e com o resultado positivo para a mãe etapa o bebê.
Esta página foi publicada em: 30/06/2009.
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