Há 30 anos atrás...
Durante a década de 70, a inglesa Leslie Brown e seu marido John Brown enfrentavam problemas para engravidar. Já haviam completado nove anos de tentativas. Ela não engravidava devido a uma lesão nas trompas. Então, pioneiramente e sem garantia de sucesso, concordaram em se submeter ao tratamento para engravidar proposto pelo geneticista Robert Edwards e pelo médico Patrick Steptoe, da Universidade de Cambridge. Foram 10 tentativas, até que em novembro de 1977, ocorreu a primeira bem sucedida concepção em laboratório. A fertilização in vitro foi realizada com um único óvulo.
Louise Brown, loura, olhos azuis, nasceu perfeita e saudável no dia 25 de julho de 1978. Seu nascimento ocupou a primeira página dos jornais do mundo inteiro. Esse momento histórico deu início a uma nova era para toda a humanidade. A menina foi criada sem grande alarde, apenas aos quatro anos ficou sabendo como havia sido concebida. Apesar de todo esforço da família para manter a privacidade, todos os anos, a imprensa noticia algum fato a respeito da vida de Louise. Formada em Enfermagem, trabalha hoje numa agência de correios em Bristol, na Inglaterra. Aos 29 anos, novamente se tornou foco das atenções da imprensa mundial: ela foi o primeiro bebê de proveta do mundo a se tornar mãe. Louise Brown deu à luz Cameron, seu primeiro filho, fruto de uma gravidez natural.
Ainda há 30 anos, 67 dias após o nascimento de Louise, nascia na Índia, em Calcutá, no dia 3 de outubro, o segundo bebê de proveta do mundo: Kanupriya Argal. O médico responsável pelo feito, Subhash Mukerjee, caiu no ostracismo científico em seu País, impedido de divulgar seu trabalho. No Brasil, seis anos depois, em 1984, nascia o primeiro bebê de proveta brasileiro. O nascimento de Ana Paula Caldeira, no Paraná, foi comemorado como uma vitória. A mãe do bebê, Ilza Caldeira, contrariando todas as expectativas - tinha 36 anos, cinco filhos e um histórico de saúde complicado por uma peritonite pós-parto - estava decidida a engravidar e buscou auxílio médico em São Paulo, com o Dr. Milton Nakamura, pioneiro brasileiro em fertilização in vitro.
Nascimentos por fertilização in vitro:
1978 - Nascimento do primeiro bebê de proveta do mundo, Louise Brown;
1978- Nascimento do segundo bebê de proveta, na Índia, 67 dias após o nascimento de Louise Brown;
1981 - Nascimento do primeiro bebê de proveta americano, Elizabeth J. Carr;
1981 - Nascimento dos primeiros gêmeos concebidos por fertilização in vitro, Stephen e Amanda Mays (EUA);
1983 - Nascimento dos primeiros trigêmeos concebidos por fertilização in vitro. em Adelaide, Austrália;
1984 - Nascimento do primeiro bebê de proveta brasileiro, Ana Paula Caldeira.
Hoje...
Já sabemos que Leslie e John Brown não estavam sozinhos na dificuldade que enfrentavam, pois entre 10% e 15% dos casais em idade reprodutiva enfrentam algum tipo de problema para engravidar. “Hoje, sabemos também que não é recomendável esperar nove anos para buscar auxílio médico quando existem problemas para engravidar, como fizeram os pais de Louise Brown. Diante do insucesso após um ano de tentativas realizadas no mínimo três vezes por semana, o casal deve procurar ajuda médica o quanto antes”, recomenda o especialista em Reprodução Humana, Joji Ueno, diretor da Clínica Gera. A idade da mulher é um dos fatores determinantes para direcionar o tratamento. Por exemplo, uma mulher de 37 anos que está querendo engravidar não deve esperar 12 meses de tentativas para procurar assistência médica especializada.
A ciência também avançou no diagnóstico das causas de infertilidade. “Os especialistas em Reprodução Humana estimam que 40% dos fatores que impedem a gestação partem de alterações e problemas vindos do sexo masculino. Ou seja, o mesmo percentual de responsabilidade que a literatura médica reserva às mulheres”, afirma Joji Ueno. Os 20% restantes dizem respeito a ambos. "Por isso, a investigação das causas da infertilidade do homem por um médico andrologista (urologista especializado em fertilidade masculina) é tão necessária quanto a da mulher, por um ginecologista, e deve ser realizada ao mesmo tempo", recomenda o médico.
Atualmente, as crianças nascidas por FIV são milhares no mundo inteiro, as estatísticas apontam algo em torno de 3 milhões. O Brasil é centro de excelência em reprodução humana assistida, os resultados obtidos aqui são iguais aos dos melhores centros do mundo. Cerca de 15 mil bebês de proveta já nasceram no Brasil. Contamos com cerca de 190 clínicas de reprodução humana, onde são realizados quase 15.000 ciclos de fertilização, o que resulta em algo em torno de 4.000 nascimentos por ano. E esse número vem crescendo, graças à tecnologia que se desenvolve a cada dia. O que pode ser feito, hoje, neste campo, nem foi sonhado há 30 anos atrás, por Steptoe e Edwards.
“Hoje, mulheres que não ovulam mais podem engravidar por meio de óvulos de doadoras. Homens que não produzem espermatozóides maduros podem recorrer a uma técnica que permite retirar as células pré-espermatozóides e amadurecê-las, para que posteriormente elas sejam utilizadas na fertilização in vitro. Doze anos atrás, a ICSI – uma microinjeção de um único espermatozóide dentro do óvulo – era só uma hipótese”, afirma Joji Ueno. Na linha evolutiva da reprodução humana foram desenvolvidas muitas pesquisas, algumas foram abandonadas e outras foram incorporadas ao arsenal da moderna medicina.
Outro avanço que contabilizamos é a biópsia de embriões feitos em laboratório, o Diagnóstico Genético Pré-implantacional (PGD), que oferece a oportunidade de se verificar se o futuro bebê tem anomalias genéticas causadoras de doenças como síndrome de Down, hemofilia, fibrose cística, doença de Tay Sachs, dentre tantas outras que já é possível detectar por essa tecnologia. “Desde 2002, utilizamos o Spindle View, microscópio a laser que permite localizar os cromossomos no interior de óvulos captados para a fertilização in vitro. O equipamento potencializa as chances de gravidez da mulher ao promover a melhora do critério de seleção dos óvulos que serão implantados no útero”, afirma Joji Ueno.
Mudanças significativas em 30 anos:
- Aumentaram as chances de engravidar com o auxílio da fertilização in vitro: hoje, cerca de 55% das mulheres podem engravidar até os 35 anos;
- Coleta de óvulos: antes feita por via laparoscópica, requerendo internação hospitalar, hoje é via ultra-som, com leve sedação, na própria clínica;
- Controle para evitar gestação múltipla: são transferidos apenas os melhores embriões, depois de avaliações laboratoriais. No máximo 3 embriões são transferidos,
- Fertilização in vitro com sêmen de homens vasectomizados, ou azoospermicos: desde 1993, com a ICSI – Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóide – é possível injetar um único gameta no óvulo. Esse gameta pode ser obtido por micro-cirurgia no testículo ou punção no epidídimo;
- FIV com óvulos congelados: a técnica de congelamento já é dominada com resultados de gravidez;
- Biópsia de embrião: o diagnóstico genético já é realizado com segurança para o embrião e com resultados eficazes;
- Teste de qualidade do espermatozóide: o teste de fragmentação analisa o DNA e avalia o potencial de fertilidade dos gametas masculinos.
SERVIÇO:
Clínica GERA
Rua Peixoto de Gomide, 515
Conjuntos 11 e 12
São Paulo- SP
Atendimento: de segunda a sexta-feira
Horário: entre 09:00 e 19:00
Telefone: (11) 3266 7974
Homepage: www.clinicagera.com.br
Blog: http://conversadecasal.zip.net/
Data de publicação: 17/06/2008.
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