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Ovodoação: o que os casais que enfrentam problemas de infertilidade precisam saber sobre este assunto?

Palestra em São Paulo esclarece o público sobre o tema.

Além da doação de órgãos, o Brasil também enfrenta desafios no campo da doação de pele, de sangue, de leite materno e de gametas. Não há listas com o registro do número de pessoas que aguardam a doação de leite, sangue, pele, óvulos ou espermatozóides, mas os especialistas em Saúde que lidam diariamente com estes problemas conhecem bem esta realidade. “Precisamos evoluir muito neste campo, é preciso fomentar a relação entre doadores e receptores. A educação e a ética em transplantes precisam ser discutidas com a população mais freqüentemente”, afirma o especialista em Reprodução Humana, Joji Ueno, (CRM-SP 48.486), diretor da Clínica Gera.

Nos casos de infertilidade

A doação de gametas está indicada para os casais inférteis em que um ou ambos não possuem gametas, ou no caso de que um deles possua uma doença genética que poderá ser transmitida com alta freqüência para seus descendentes. “No Brasil, a Resolução CFM Nº 1358/92 regulamenta que a doação deverá ser gratuita e a identidade dos doadores mantida em segredo. Uma análise desta regulamentação revela que do ponto vista ético, o fundamental seria a preservação do anonimato entre receptores e doadores”, afirma Joji Ueno. O anonimato, segundo o médico, evitaria o aparecimento de situações emocionais e legais oriundas do relacionamento receptor-doador, com repercussões também no desenvolvimento das crianças geradas por esses procedimentos.

Para fazer a doação

“Habitualmente, encontramos poucas mulheres com interesse em doar óvulos. Na verdade, as pessoas têm pouca informação sobre a importância e a necessidade da doação de oócitos. Com mais esclarecimentos sobre o assunto, a disposição da mulher em fazer a doação tenderia a aumentar, pois este gesto não acarreta em nenhum prejuízo à saúde da doadora”, afirma Joji Ueno. A seguir, o médico esclarece algumas questões relativas à doação de óvulos:

- Como ocorre o processo de fertilização entre uma doadora e uma receptora?

Joji Ueno - O processo é de uma fertilização in vitro. A doadora deverá passar por um processo de indução da ovulação indicado para o bebê de proveta. Paralelamente, a receptora recebe hormônios que preparam o endométrio para receber os embriões. Enquanto os óvulos se desenvolvem na doadora, o endométrio da receptora fica mais espesso a cada dia. Quando os óvulos da doadora forem aspirados, parte deles serão encaminhados para a receptora, sendo fertilizados com o sêmen do próprio marido. A seguir os embriões são transferidos para cada uma das pacientes.

- Quais são as regras para a ovoadoação vigentes hoje?

Joji Ueno – Segundo as orientações do Conselho Federal de Medicina:

- A doação nunca terá caráter lucrativo ou comercial. Não se vende óvulos (nem espermatozóides);

- Os doadores não podem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa. Obrigatoriamente será mantido o sigilo e o anonimato. A legislação não permite doação entre familiares;

- As clínicas especializadas mantêm de forma permanente um registro dos doadores, dados clínicos de caráter geral com as características fenotípicas (semelhança física), exames laboratoriais que comprovem sua saúde física e uma amostra celular;

- A escolha de doadores baseia-se na semelhança física, imunológica e na máxima compatibilidade entre doador e receptor (tipo sangüíneo etc).

- Quem são as mulheres que podem doar óvulos?

Joji Ueno - As doadoras devem ter as seguintes características: menos do que 35 anos de idade; bom nível intelectual; histórico negativo de doenças genéticas transmissíveis; e, teste negativo para doenças infecciosas sexualmente transmissíveis (hepatite, sífilis, Aids etc) e tipagem sangüínea compatível com a receptora.

- Qualquer mulher pode doar óvulos?

Joji Ueno – Sim, geralmente, as principais fontes de doadoras são:

-Mulheres férteis, que desejam submeter-se à ligadura tubária, poderão ser incentivadas a aceitar a estimulação ovariana e a doação dos óvulos;

-Pacientes do programa de fertilização in vitro ou inseminação artificial com altas respostas ao estímulo ovariano, às vezes, desejam de forma voluntária e anônima doar parte dos óvulos obtidos. São pacientes que não desejam congelar embriões e temem uma gestação múltipla;

-Irmãs e familiares de receptoras podem ser doadoras desde que façam uma doação cruzada, isto é, os óvulos do familiar de uma doadora serão doados para uma outra receptora que também terá uma familiar que doará para a primeira receptora. Por exemplo, “A” tem uma irmã que se chama “X” e a outra paciente receptora “B” tem uma irmã que se chama “Y”. Neste caso, a paciente “A” poderá receber óvulos da doadora “Y” e a receptora “B” poderá receber óvulos da doadora “X”. Desta maneira, será preservado o anonimato;

-Mulheres que voluntariamente e altruisticamente concordam em doar óvulos.

- Além da idade avançada, existem outras razões para uma mulher receber óvulos de uma doadora?

Joji Ueno - Sim. Outras possibilidades podem indicar o uso de óvulos de doadora, como por exemplo: a ausência congênita ou retirada cirúrgica dos ovários; doenças genéticas transmissíveis da mulher; falhas repetidas de tratamentos de fertilização in vitro que aconteceram devido à má resposta ovariana ou a embriões de má qualidade; e, a menopausa precoce.

- Entre as mulheres orientais e negras, há mais dificuldades para encontrar doadoras?

Joji Ueno - De uma maneira geral, sim, há mais dificuldades. A maior dificuldade é encontrar doadoras de origem japonesa, chinesa e coreana. O mesmo problema acomete também as mulheres negras. Nos bancos de sêmen oficiais e nos programas de doação de óvulos existentes, quase não existem doadoras orientais e negras cadastradas. A dificuldade é ainda maior porque a seleção, além de racial, é também étnica nestes grupos, pois apesar de semelhantes fisicamente, os coreanos, chineses e japoneses se sentem diferentes uns dos outros. Devido a todas estas razões, é preciso sensibilizar as mulheres negras e a colônia oriental no Brasil - que já ultrapassa os dois milhões e meio de pessoas - a participarem de programas de ovodoação.

SERVIÇO:

Palestra: Ovodoação: o que os casais que enfrentam problemas de infertilidade precisam saber sobre este assunto?

Evento gratuito

Data: 31 de maio, sábado

Local: Clínica GERA

Rua Peixoto de Gomide, 515

Conjuntos 11 e 12

São Paulo-SP

Horário: entre 10:00 e 12:00

Informações e inscrições: (11) 3266 7974

É necessário doar um pacote de fraldas descartáveis

O projeto Conversa de Casal conta com o apoio do Espaço Vida & Nascer Natural, que ao final de cada palestra realizará o sorteio de brindes para os participantes. Para conhecer o espaço, acesse: www.vidaenascernatural.com.br

 

Data de publicação: 13/05/2008.

 

 

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