O avanço de técnicas eficazes de reprodução assistida já permite a redução do risco de uma gestação múltipla. O Conselho Federal de Medicina, através da Resolução nº 1.358/92, regulamentou o número de embriões que podem ser transferidos. Segundo o artigo 6º, dos Princípios Gerais da Resolução, “o número ideal de oócitos e pré-embriões a serem transferidos para a receptora não deve ser superior a quatro, com o intuito de não aumentar os riscos já existentes de multiparidade”.
De acordo com o médico Vinicius Medina Lopes, especialista em Reprodução Humana do Instituto Verhum, a resolução veio coroar o trabalho de clínicas sérias. “O que é muito comum no Brasil é que os casais procuram clínicas que prometem resultados eficazes e com baixo custo. Para essas clínicas conseguirem o sucesso da fertilização transferem um número muito grande de embriões, superior a determinação do CFM, o que aumenta o risco da gestação múltipla”, adverte.
Dados do Registro Latino-Americano de Reproducción Asistida revelam que, no Brasil, 42% das gestações por FIV (Fertilização In Vitro) resultam em gêmeos, trigêmeos, quadrigêmeos e quíntuplos. “O desafio hoje para a reprodução humana é manter bons índices de gravidez, sem aumentar a incidência de gestação múltipla aprimorando sempre as condições ideais de transferência, sobrevivência e implantação do embrião. Assim, evitamos ainda as diversas complicações para a mãe e para o bebê que pode ter seqüelas definitivas pela gemelaridade”, relata o médico.
O casal deve manter a tranqüilidade diante de uma gravidez múltipla. O acompanhamento com um especialista vai permitir que a mulher atravesse este momento de forma tranqüila e sejam minimizadas complicações durante a gestação e o trabalho de parto, pois a maior distensão do útero tende ao parto prematuro. “A saúde dos bebês de gravidez múltipla é afetada pelos mesmos fatores gerais que influenciam a sobrevivência de um bebê único: duração e qualidade da vida intra-uterina e o desenvolvimento após o nascimento”, informa Dr. Vinicius.
Complicações que uma gestação múltipla pode trazer para a mãe:
- pré-eclâmpsia;
- trabalho de parto prematuro e parto prematuro;
- hospitalização por longo tempo;
- necessidade de cerclagem;
- tromboembolismo;
- distúrbios hipertensivos;
- diabete gestacional;
- sangramento;
- anemia;
- distócia;
- atonia;
- ruptura uterina;
- necessidade de cesárea.
Complicações que uma gestação múltipla pode trazer para o bebê:
- parto prematuro;
- prematuridade extrema;
- crescimento intra-uterino retardado;
- necessidade de educação especial, dificuldades de comportamento e de socialização;
- mortalidade perinatal aumenta quatro vezes para a gestação gemelar e seis vezes pra a trigemelar.
Data de publicação: 19/08/2008.
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