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Endometriose: este é o tema da última palestra do Projeto Conversa de Casal em 2008

No dia 06 de dezembro, o Projeto Conversa de Casal recebe mulheres e casais para falar sobre a endometriose e sua relação com a infertilidade feminina.

Ainda não totalmente desvendada pela Medicina, a endometriose se apresenta cada vez com mais freqüência. Sua incidência tem aumentado consideravelmente, porém os especialistas ainda não sabem ao certo a causa do problema. “Com a difusão dos conhecimentos da doença, tanto para os médicos, quanto para a população em geral, os diagnósticos são feitos com maior precisão e em maior número”, afirma o ginecologista o ginecologista especializado em Reprodução Humana, Prof° Dr. Joji Ueno, diretor da Clínica Gera, que acaba de retornar do 37° Congresso Mundial de Ginecologia Minimamente Invasiva, evento promovido pela AAGL- Associação Americana de Ginecologia Laparoscópica - em Las Vegas, EUA, onde, há alguns anos, a doença vem sendo um dos temas mais debatidos durante o evento.

Além da maior facilidade de diagnóstico, que faz com que mais casos sejam identificados, o estilo de vida da mulher moderna vem sendo apontado como o grande responsável pelo aumento de casos da endometriose. “Hoje, a tendência mundial é que a mulher se case e engravide mais tarde e tenha menos filhos. Em conseqüência destes comportamentos, a mulher fica mais exposta aos ciclos menstruais, o que a torna mais suscetível à doença”, explica o especialista em Reprodução Humana. Hoje, a mulher menstrua em média 400 vezes na vida, enquanto no começo do século passado menstruava apenas 40 vezes, porque a primeira menstruação ocorria mais tarde, ela engravidava mais cedo, tinha mais filhos e passava longos períodos amamentando.

 

Prováveis causas

Relacionada ao ciclo menstrual e ao sistema imunológico, a endometriose atinge até 10% das mulheres em idade fértil e é encontrada com mais freqüência nas que têm mais de 35 anos. Porém, 20% delas nem sempre sabem que têm a doença porque não apresentam nenhum sintoma. “A paciente que tem algum parente em primeiro grau com endometriose corre mais risco de desenvolver a doença, que se desenvolve geralmente na adolescência. Entretanto, o diagnóstico, geralmente, só é feito entre mulheres de 25 a 35 anos”, observa o diretor da Clínica Gera.

A endometriose é caracterizada pelo implante de células endometriais fora do útero. “O nome da doença vem da palavra endométrio, camada que reveste o interior do útero e que é eliminada durante a menstruação, todos os meses, se a mulher não engravidar. A endometriose ocorre quando, por algum motivo, o endométrio se encontra fora do útero”, explica o ginecologista.

A razão de parte das células do endométrio sair do útero e se reagrupar em outras regiões como ovários, tubas uterinas, superfície do útero, bexiga, dentre outros órgãos, ainda não foi completamente esclarecida pela ciência. “Porém, com o conhecimento que já adquirimos, sabemos que os focos de endométrio alojados em outros órgãos continuam estimulados pelos hormônios, a cada ciclo menstrual, e se comportam como se estivessem dentro do endométrio. Dessa maneira, a cada menstruação, nos focos de endométrio também ocorre um sangramento semelhante ao fluxo menstrual normal”, explica Joji Ueno.

Além da menstruação, os especialistas acreditam que a doença pode se instalar em algumas mulheres devido a algum distúrbio no sistema imunológico das portadoras de endometriose. Essa é uma das teorias mais modernas que explicam o surgimento da doença: “Em geral, quando as células do endométrio se alojam em outras regiões do organismo feminino, o sistema imunológico entra em ação para que seja realizada a limpeza ou a eliminação dos focos de endométrio fora do útero. Mas, por algum problema no sistema imunológico, esta ‘limpeza do organismo’ não acontece. Daí, as células se implantam nesses locais, sofrem a ação dos hormônios e acabam por desenvolver a endometriose”, explica o médico. Outras possíveis causas associadas ao aparecimento da doença são alterações genéticas e alterações do próprio endométrio.

 

Muita dor

Todo este desequilíbrio no organismo e o crescimento do tecido endometrial em lugares incomuns causam sintomas bastante dolorosos. “O primeiro a aparecer, em geral, é a cólica menstrual (dismenorréia). Ela é progressiva. Ou seja, no princípio, a mulher refere-se a ela como leve. Entretanto, com o passar dos anos, a dor vai piorando até ficar muito intensa, o que a impede de fazer suas atividades habituais. Outro sintoma é a dor durante a relação sexual (dispareunia)”, alerta o ginecologista. As cólicas menstruais que caracterizam a endometriose não melhoram com medicação, apresentam-se muito severas e requerem repouso. A dor que acontece durante a relação sexual, em geral, aparece quando a penetração é profunda e tende a ser mais intensa no período pré-menstrual.

Como as células do endométrio podem se alojar em várias regiões do organismo feminino, as teorias mais modernas defendem que a endometriose também não se apresenta como uma só, mas, na verdade, de maneiras distintas. São três as principais formas da doença. Uma delas aparece na superfície do peritônio, camada que reveste internamente o abdome. A outra, mais freqüente, é a forma ovariana, na qual os focos do endométrio se apresentam como cistos com conteúdo de cor achocolatada. Por fim, existe a endometriose profunda, quando as células invadem as camadas do intestino e o septo retovaginal, pequena área entre a vagina e o reto. Esta forma, além de dificultar as relações sexuais, ainda pode causar sangramento e obstrução intestinal.

 

Como diagnosticar?

O diagnóstico inicial da endometriose pode ser feito por meio do histórico clínico da paciente e dos sintomas característicos da doença. “Nesses casos, um exame ginecológico também pode ajudar. A avaliação física é igualmente essencial na investigação da doença. O exame do abdome, por exemplo, pode revelar ao ginecologista se há aumento abdominal ou dores localizadas. Já o exame do colo do útero pode detectar a doença no colo e/ou na parede vaginal, enquanto o toque ginecológico avalia possíveis aumentos nos ovários, dores atrás do útero e eventuais nódulos dolorosos presentes na endometriose profunda”, detalha o ginecologista Joji Ueno.

Dentre os exames complementares, que podem auxiliar a compor um diagnóstico preciso, destacam-se o ultra-som transvaginal especializado, que permite ao ginecologista obter imagens do útero, dos ovários e de lesões profundas causadas pela endometriose. A ressonância magnética da pélvis também auxilia no diagnóstico da endometriose profunda. “E por fim, contamos também com a videolaparoscopia, considerada por muitos especialistas como o melhor método para diagnosticar a doença e para iniciar o tratamento, nos casos em que a cirurgia é indicada. Uma das vantagens deste exame é que ele permite ao médico enxergar pequenos focos da doença, nem sempre perceptíveis nos outros exames”, explica o especialista em Reprodução Humana Assistida.

O tratamento da endometriose pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo do tipo, do estágio que a doença atingiu e de quanto tempo está instalada. “A primeira preocupação ao iniciar o tratamento é saber se a mulher quer se livrar da dor ou engravidar. Dependendo da intenção da paciente, é indicado o melhor método terapêutico”, informa o médico.

O uso de medicamentos é realizado nos casos mais brandos da doença, em mulheres que não desejam engravidar. É feito com a indicação do uso de anticoncepcionais orais ou injetáveis. “Outros medicamentos utilizados são os que paralisam as funções dos ovários e, com isso, diminuem a produção do hormônio estrógeno. Assim, quanto menor a concentração desse hormônio, menores os riscos de a doença progredir e menos intensas serão as dores”, explica o diretor da Clínica Gera.

 

Qualidade de vida do casal x infertilidade

Além de provocar dores fortes, a endometriose também compromete a vida sexual do casal. “Como provoca dor pélvica, às vezes contínua, e muito desconforto durante a relação sexual, é comum a mulher apresentar irritabilidade, tristeza, angústia e depressão. Muitas passam a evitar a relação sexual, afetando a vida conjugal”, alerta Joji Ueno.

A doença compromete também a fertilidade feminina e, dependendo do grau, a dificuldade para engravidar pode ser maior ou menor. “Em casos leves, as tubas ainda não foram afetadas. Nesse caso, o tratamento, hormonal ou cirúrgico é menos complexo e o quadro pode se reverter. Já em casos onde a doença está instalada há mais tempo, para que a mulher engravide é necessário que ela recorra a algum método de reprodução assistida, como a fertilização in vitro”, explica o especialista em Reprodução Humana Assistida.

Como não dispomos ainda de uma maneira efetiva para prevenir a doença em si, o maior objetivo dos ginecologistas, hoje, é identificar as adolescentes predispostas a desenvolver a endometriose e agir no sentido de prevenir seu aparecimento. “Por isso, é importante que todos os esforços estejam voltados para a prevenção secundária. É preciso alertar a população e a classe médica para a doença, permitindo, dessa maneira, que o diagnóstico seja feito o mais precocemente possível”, enfatiza Joji Ueno.

 

Conversa de Casal

No sábado, dia 06/12, o projeto Conversa de Casal da Clínica Gera promoverá a última palestra gratuita do ano, com o tema: “Endometriose: como o casal pode enfrentar este problema, que provoca dor e infertilidade na mulher?”.

Para participar da palestra, os interessados – mulheres, homens ou casais – devem fazer a doação de um pacote de fraldas descartáveis e a inscrição pelo telefone: (11) 3266 7974.

O evento acontece na própria Clínica Gera, na Rua Peixoto Gomide, 515, conjuntos 11 e 12, São Paulo, capital.

 

SERVIÇO:

Palestra: “Endometriose: como o casal pode enfrentar este problema, que provoca dor e infertilidade na mulher?”.

Evento gratuito

Data: 06 de dezembro, sábado

Local: Clínica GERA

Rua Peixoto de Gomide, 515

Conjuntos 11 e 12

São Paulo-SP

Horário: entre 10:00 e 12:00

Informações e inscrições: (11) 3266 7974

É necessário doar um pacote de fraldas descartáveis

 

Data de publicação: 18/11/2008.

 

 

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