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Não vou desanimar nunca - Ana Cristina

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Bom , sou mãe de uma criança com necessidades especiais... e temos uma luta diária e constante.

Me relacionei com uma pessoa, a qual veio morar comigo... neste período tomei a decisão que não teríamos mais filhos, pois eu já tinha um filho de 16 anos de um relacionamento de adolescente e esse companheiro dois filhos na época com 20 anos e 23 anos que estavam morando fora do País.

Resolvi colocar DIU, pois com um único filho não é permitido fazer a laqueadura. Neste mesmo período a filha de meu ex-marido voltou da Irlanda e ele a deixou morando em Campinas, pois eu morava em Indaiatuba. Neste período acabei engravidando usando o DIU, e aí começaram as grandes decisões de minha vida.

Após consulta com o médico, foi constatado a necessidade de retirar o DIU e na ausência do batimento cardíaco o médico ficou apreensivo achando que poderia estar indo pra uma gravidez anembrionada... pois é... nome estranho neh! Nunca tinha ouvido falar nisso.

Meu ex-marido, ficou arrasado, pois deseja mto ter esse filho... esperamos 15 dias pra confirmar a gravidez...e aí prosseguiu.

Mtos sonhos, escolha de nomes, vivenciando realmente um momento sublime, até que ao quarto mês de gestação fui diagnosticada com pressão alta e aí novamente os cuidados necessários.

O inchaço aparecendo, os cuidados estando presente, medicação de controle até que às 33 semanas de gestação tive um mal estar com dores horríveis de estômago... e meu ex já me colocando de lado... sendo ausente...

Neste dia em questão ele me mandou dormir com o travesseiro no estômago, não aguentando de tanta dor, me levantei logo cedo, e disse a ele que iria pro hospital. Chegando no hospital, o médico plantonista me atendeu e verificou que minha pressão estava normal, mas mesmo assim resolvi ligar pro meu obstetra e ele pediu ao colega de plantão que me internasse, pois tinha tido outro caso mto semelhante na noite anterior.

Bom, fiquei internada e meu ex-marido me acompanhando até que chegaram todos os exames e o meu pedido de transferência com urgência... diagnóstico: Pré-eclâmpsia com evolução pra Síndrome de Hellp.

Fui transferida numa ambulância UTI pra cidade de Campinas e lá realizaram meu parto de emergência..

A Maria Gabriella nasceu com 33 semanas, apgar de 8 e 9, medindo 37 cm e pesando 1.230 kg. Mãe e filha levadas a UTI.

Foi o primeiro susto... mas quando disseram a mim que minha filha ficaria no minimo 60 dias internadas... quase me desfaleci e pensei: NÃO VOU SUPORTAR TUDO ISSO, não tenho estrutura pra ser mãe de UTI.

No quinto dia após o nascimento recebi alta e meu ex-marido me levou pra passear ao shopping... Santa hipocrisia, neh...

Ficamos em Campinas pra poder visitar a Maria na UTI.

No segundo dia em casa, a filha de meu ex-marido liga chorando dizendo a nós que estava grávida e aí meu casamento acabou.

Esse pai, achou que tudo agora teria que ser em favor dessa filha e dessa neta. Os destratos a mim e o pouco caso dele com a minha bebezinha na UTI foram evidentes... tanto que em determinada época cheguei a dizer a uma parente que nosso casamento estava acabando!!!

Dias intermináveis... até que finalmente após quase 60 dias, recebemos alta e fomos pra casa... meu casamento já nem existia mais!!

Mais o pior veio mesmo com o diagnóstico de minha bebezinha... Encefalomalácia Periventricular...

Ou como alguns médicos dizem: um atraso no desenvolvimento motor dela... mais tarde com um CID bem diferente G-80-1 ou seja: PARALISIA CEREBRAL ESPÁSTICA DIPLÉGICA.

Ex-marido nos deixou assim que tivemos o diagnóstico confirmado e sua neta nasceu.

E de lá pra cá, absurdos cometidos por esse pai... negligência na assistência médica, abandono emocional e agressão física.

Nos separamos mesmo, não suportei ser agredida porque ele achou que era mais importante cuidar e pagar despesas da neta do que sua filha com PC. 

Após brigas e ações judiciais regulamentamos o acordo, todavia, até hoje não vi essa pessoa cumprir uma linha do que foi acordado.

Iniciei logo os trabalhos de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia na APAE de minha cidade... e ouvi do meu ex-marido: que a filha dele não precisa de APAE...

Fui à luta, busquei médicos, opiniões, me certifiquei de todos os diagnósticos e luto mtooo por sua reabilitação. Com meu ex é tudo na base da pressão, nossa vida é um verdadeiro inferno, ele participa no que quer. Não a leva em festas, pois acredito que deva ter dificuldade pra aceitar que possui uma filha com necessidades especiais.

A Maria Gabriella sentou com 1 ano e 3 meses, engatinhou com 1 e 8 meses, e começou a deambular com o uso do andador pra deficientes com 3 anos...

Já realizamos o método intensivo do Therasuit, foi maravilhoso, foram 30 dias de mtooo trabalho e ela não desanimou um dia se quer.

Estamos numa fase mais independente, este ano foi matriculada na rede escolar e está indo mto bem. Os amiguinhos da escola adoram ela de paixão e se mostram solidários o tempo todo.

Continuo trabalhando, minha vida não tem sido fácil, faço tudo sozinha, médicos, lazer, reabilitação, mercado e em nenhum momento a Maria deixa de estar comigo...

Fizemos recentemente umas fotos pra uma loja de minha cidade em comemoração ao Dia das Mães... e somos mtooo felizes.

Respeito suas limitações, sei das suas dificuldades, mas ACIMA DE TUDO SEI DAS SUAS POSSIBILIDADES...

Atualmente estamos em busca de realizar um procedimento novo no Brasil, uma cirurgia que poderá lhe dar mais independência, prevenindo a espasticidade que a comete em decorrência do dano cerebral... Temos mtas expectativas e temos pesquisado todos os prós e contras da Rizotomia Dorsal Seletiva...

Temos pedido muito a Deus que nos oriente referente a essa cirurgia. Mas já tivemos a confirmação que a Maria Gabriella é apta a esse procedimento e poderá ser muito benéfico...

Precisamos levantar o mais difícil... dinheiro... não pensei duas vezes pra colocar minha casa a venda... espero conseguir!!!

Temos mtas esperanças e o principal... não vou desanimar nunca.

Ana Cristina e sua filha Maria Grabriella - Foto: arquivo pessoal

Ana Cristina

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