Gêmeos: e agora?

Preocupação e felicidade são dois sentimentos que se misturam na gestação quando fazemos o ultra-som e o médico nos dá a notícia de que estamos esperando gêmeos. Serão dois sorrisos, dois choros simultâneos, fraldas em dobro...

Se um bebê já requer atenção, dois merecem um pouco mais. A gravidez de gêmeos é considerada de risco, pois, em sua maioria, os bebês nascem prematuros. O pré-natal tem que ser realizado rigorosamente.

A amamentação é outro fator importante. O leite materno é o ideal exclusivamente até o sexto mês de vida dos bebês e toda mamãe produz leite suficiente para alimentar quantos bebês ela tiver. A sucção dos pequenos aumenta a produção do leite. Quanto mais os bebês sugarem o peito, mais o organismo da mamãe produzirá leite.

Cada mamãe irá encontrar uma forma de amamentar. Pode-se oferecer o peito aos dois bebês juntos e a mamãe ganhar tempo com isso. Mas se preferir, pode amamentar um de cada vez, normalmente quem acordar primeiro. Se os bebês precisarem de complemento, o pediatra orientará os pais qual alimento oferecer e também como oferecer.

Nessa hora, o papai tem seu papel importante na ajuda da mamãe e dos bebês, seja trocando as fraldas dos nenezinhos, seja dando colo para o que acordou enquanto a mamãe amamenta o outro, ou mesmo no serviço de limpeza da casa. Homem moderno é isso. Não se sinta envergonhada de pedir favores para amigos e familiares, como fazer suas compras. Toda ajuda é muita preciosa, nem que seja para você descansar.

Mesmo rosto, outro coração - Mesmo sendo gêmeos, idênticos ou não, nascendo da barriga juntos, não quer dizer que as crianças são iguais. Podem ser iguais fisicamente, mas cada um tem a sua personalidade. Às vezes, ainda dentro do útero algumas mães já diferenciam os bebês como aquele que chuta mais ou é mais agitado do que o outro.

Após o nascimento, as diferenças continuam e os pais têm que conhecer a personalidade de cada um, assim como a mamãe de uma criança faz. Os bebês podem ter choros diferentes, maneiras diferentes de falarem ou fazerem algo e são essas diferenças que desenvolvem a personalidade de cada um.

Cuidado apenas para que as diferenças das crianças na família não se torne comparações como do tipo: “Ele é mais inteligente do que você” ou “Ele faz isso melhor do que você”. Essas comparações são negativas para as crianças. Risque essas comparações do seu dicionário. O irmão desprestigiado não ganhará nada com essa bronca, ao contrário. Os gêmeos são diferentes, mas nenhum é melhor do que o outro. Cada um tem um tempo e um desenvolvimento.

A diferenciação pode começar nas roupas que as mamães gostam de colocar iguais. O vestuário é uma das primeiras escolhas pessoais da criança e pode ser por ele que as pessoas diferenciam quem é quem e as crianças criem independência do relacionamento com o outro.

Na escola, não há recomendação de ficarem em classes diferentes. Não é necessária separação física dos gêmeos para haver independência. Essa questão deve ser conversada entre escola e pais e, no momento em que puderem decidir, os gêmeos devem ser consultados também. Deixe rolar naturalmente.

Os irmãos gêmeos não são uma única pessoa. Evite encarar as crianças dessa forma. Olhem como se fossem seres individuais, cada um com seus limites, qualidades e necessidades.

Dicas

0 a 3 anos – Organize a casa para receber duas crianças. Monte espaços para as brincadeiras sem que exista algo que possa machucá-las e deixar mamãe menos preocupada.

3 a 6 anos – Dê um brinquedo para cada um e, de preferência nessa fase, o mesmo. Assim os pais evitarão brigas e frustrações por a criança achar que o brinquedo do outro é melhor.

6 a 9 anos – Cada um tem um gosto e uma necessidade. Deixem que escolham se querem ou não ficar na mesma classe e se usarão ou não a mesma roupa. São nessas escolhas que conseguirão se desenvolver como uma pessoa única.

Bruno Rodrigues

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