Filho único, vantagem ou desvantagem?

Muito se fala sobre o comportamento mimado, egoísta e genioso da criança que é o único fruto de um casal. Isso pode ser considerado um mito em um mundo onde as famílias que optam por ter apenas um filho crescem cada dia mais.

Quanto maior poder aquisitivo, maior o número de casais que escolhem por ter apenas um filho pensando em satisfazer as necessidades da criança. A idéia é coloca-lo em uma boa escola e um bom plano de saúde, que estão cada vez mais caros, além de aulas extras como natação e inglês. Soma-se isto a opção da mulher a ter um filho mais tarde para priorizar a profissão.

O capricho, a geniosidade e o egoísmo podem aparecer tanto em uma criança que é filha única ou que tenha irmãos. Esse perigo é maior nos filhos únicos porque os pais não têm com quem dividir os excessos. Tudo é para uma única criança. E é esse excesso que prejudica. Mas que fique claro: não é regra que todo filho único vai ser chato, mimado e egocêntrico. Depende sobretudo da educação dos pais.

Criança no colo do pai observados pela mãe - ThinkStock

Isso mesmo! Depende da educação dos pais. Nada pode ser em excesso. Carinho, limites, atenção, brinquedos, amor e proteção devem ser tudo equilibrado. Não é todo passeio ao shopping que tem que terminar em um brinquedo novo. Não é porque você trabalhou o dia todo e teve pouco tempo para o seu filho que deixará que ele faça tudo o que quiser.

A criança precisa ter regras e limites, mas sem deixar de dar amor. Carinho e atenção não estão embutidos dentro de um presentinho.

Muitas mamães ficam preocupadas quanto à socialização do filho único. Explica-se: A criança, neste caso, não terá um irmão para dividir a vida infantil. Seus amiguinhos de escola costumam ser as referências. Por nem sempre conhecer o estilo e conduta dos amiguinhos do filho, a mãe teme pelo futuro de seu pequeno. Normal.

Mas estudos destacam que filhos únicos criados de forma equilibrada e sem excessos crescem sem problemas de convivência.

Argumentos - Uma realizada pela da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos, e publicada na revista científica Pediatrics, avaliou 13 mil estudantes do ensino fundamental e médio e descobriram que o fato de não ter irmãos não atrapalha as habilidades sociais de um adolescente. As crianças se socializam bem tanto na escola, fora e atividades extras.

Outro estudo feito há mais tempo foi realizado no Brasil, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria (Volume 26, nº1), não aponta diferenças significativas entre crianças com irmãos e filhos únicos. Na questão dos filhos únicos serem mais maduros por conviverem mais só com adultos não apareceu já que a preocupação com futuro e vestibular foi semelhante.

“Contrariamente à impressão de que os filhos primogênitos ou únicos tendem a ser diferentes dos demais, neste estudo não se detectaram diferenças entre filhos únicos, primogênitos e não primogênitos quanto ao relacionamento com os pais, presença de namorada e prática de esportes”, garantem os pesquisadores.

Não tenham medo de escolher a opção de ter só um filho. Bom exemplo e atitudes sem exageros garantem que o filho único tenha uma vida normal como qualquer outra criança. O excesso de mimo parte dos pais, avós e demais grandinhos. A criança é um reflexo disso.


Bruno Rodrigues

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