Disfonias em bebês e Crianças

Mamães, fiquem alertas para as alterações na voz do seu filhinho. São as chamadas disfonias causadas por fatores orgânicos ou funcionais.

Do ponto de vista orgânico, há as anomalias estruturais, geralmente congênitas, e os traumatismos laríngeos. Quando há alteração vocal evidente desde o nascimento, estes fatores devem ser investigados por um otorrinolaringologista. Há ainda problemas relacionados às alergias, principalmente do aparelho respiratório.

As causas funcionais são as mais freqüentes. O abuso vocal é fato freqüentemente observável na maior parte das crianças, o que pode ser facilmente detectável nas atividades diárias da criança como em festinhas infantis, durante o horário de recreio da escola, durante a realização de esportes como o futebol. Porém, observamos que o abuso vocal realmente prejudicial é aquele que se caracteriza por emissão tensa, nervosa e/ou forçada. Neste aspecto, é importante ressaltar que o ambiente que a criança vive deve favorecer sua participação comunicativa, oferecendo condições para que ela se expresse e seja ouvida. Modificar o comportamento vocal de uma criança não é tarefa fácil. Os pais neste momento colaboram com este processo. Toda criança precisa de ATENÇÃO. Muitas sentem-se deixadas de lado, e para chamar a atenção acabam falando com voz muito elevada, gritando, querendo dominar o ambiente através da voz, o que é extremamente prejudicial.

É importante salientar que alterações de voz são sintomas a serem observados e avaliados. A presença de nódulo vocal (calo nas pregas vocais) é significativa na infância, mais freqüente nos meninos, e merece tratamento especializado. A caracterização da família é fundamental neste processo, modificando eventuais características ambientais e auxiliando a criança na identificação de seus abusos. Seria interessante que os pais, ao detectarem que a voz da criança altera-se com freqüência, não importando a faixa etária, investigassem. Os profissionais especializados para avaliar e indicar o melhor tratamento para o seu filho são o médico otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo. O trabalho fonoaudiológico junto as crianças conta com a participação ativa da família para que os comportamentos da criança com relação à sua voz sejam modificados.

Mamãe, observe no seu filho os seguintes comportamentos e os cuidados que podem ser realizados:

  • Quando o bebê chora muito forte, quase gritando poderá ficar rouco, o que às vezes, ocasionará alterações em sua voz.
  • A agressividade, insegurança, imitação de animais, apresentadores de programas, de personagens de desenhos também podem provocar alterações.
  • Alertar a criança para que não grite, mas para isso, devemos prestar atenção ao que ela tem para dizer.
  • Interessar-se por suas atividades. Perguntar o que estão fazendo, se estão gostando, por exemplo, o que você fez na escola hoje?
  • Reduzir a competição vocal: evitar tornar o ambiente agitado e evitar freqüentar sempre locais agitados, onde todos querem falar ao mesmo tempo.
  • Identificar certos abusos vocais: imitar animais, lutas, monstros, carros. Tentar substituí-los por estalos de língua e vibrações de lábios e língua.
  • Combinar com a criança certos sinais para quando ela estiver cometendo um abuso, para não chamar sua atenção na frente das outras pessoas.
  • Crianças alérgicas à poeira, perfumes, talcos, e até produtos de limpeza podem ter alterações vocais, bem como as crianças gripadas.
  • A criança que possui uma deficiência auditiva pode apresentar um tom de voz mais elevado, isso porque ela não escuta ou escuta muito pouco a sua voz tendo que falar mais alto para se ouvir. Em contrapartida, crianças ou adultos que convivem com deficientes auditivos devem prestar atenção ao seu tom de voz elevado para não prejudicarem suas pregas vocais com alterações por esforço ao falar.

Cuide da voz do seu filhinho. Qualquer alteração consulte um especialista. Assim você poderá evitar sérias complicações vocais.

Silmara Barcellos

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