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Como proteger bebês e crianças das picadas de insetos - parte 5

Conheça 13 dicas importantes sobre aplicações dos repelentes, os nomes e princípios ativos dos produtos à venda no Brasil

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Vamos acabar com a série, esperando acabar com os insetos. 

Mas, enquanto estamos completando essa matéria, a dengue evolui, a febre de chikungunya aparece e cresce e outras doenças transmitidas por picada de insetos estão só esperando mais uma distração nossa, mais um descaso de nossas autoridades no combate aos “pernilongos” para darem o ar de sua graça. Ou desgraça.

Já falamos sobre os cuidados para evitar os insetos em casa, com proteção ambiental, proteção física e proteção química. Abordamos a questão dos repelentes por tipo, idade, eficácia, segurança.

Vale a pena reforçar alguns itens gerais. 

Cuidado com os mitos. Eles não protegem de fato.

Por tradição familiar, cultural, facilidade, desesperança, muitas vezes nos apegamos a “falsas soluções”, na tentativa de resolver um problema e ou não temos ação nenhuma ou a ela é muito duvidosa, muito individual, sem comprovação científica que permita sua utilização de forma geral.

Além de corrermos riscos pelos efeitos colaterais indesejáveis de nossas atitudes, estamos deixando crianças e adultos totalmente desprotegidos.

Sabe-se que os insetos são atraídos por odores (humanos, doces, entre outros) captados pelas suas antenas anteriores. Os repelentes teriam como modo de ação “disfarçar” esses cheiros que atraem os insetos.

Alho, vitamina B (especialmente 1), que agiriam por eliminar pelo suor um odor desagradável que afastaria esses insetos não apresentam estudos que comprovem sua eficácia.

Vale a mesma coisa para a citronela (em velas), que têm uma área e um tempo de ação muito curtos, conforme comprovam os estudos recentes.

Mesmo as bandagens embebidas em repelentes (pulseiras com DEET, por exemplo) podem ter uma ação muito reduzida, pois protegem, pela evaporação da substância, apenas até 4 cm do local onde ele está aplicado.

Assim, é fundamental que não se procure tentar “enganar” os insetos, pois, mesmo que causem doenças graves, crianças alérgicas podem sofrer as consequências com quadros que podem variar de uma simples reação à picada, com coceira discreta no local por 2 a 3 dias, até prurido intenso, urticárias gigantes, levando a internações com tratamentos agressivos (medicamentosos) por dias e necessidade de acompanhamento posterior com especialistas.

Informações sobre os repelentes no Brasil

Essa é uma tabela que mostra as substâncias químicas, os nomes comerciais, o período de duração da ação e as idades dos repelentes comercializados no Brasil.

É importante o seu conhecimento para que não haja dúvidas a respeitos de produtos e até idades, de acordo com a indicação dos fabricantes.

Tabela de repelentes contra insetos disponíveis comercialmente no Brasil - Fonte: http://www.scielo.br/img/revistas/rpp/v27n1/13t1.gif

Dicas importantes sobre aplicações dos repelentes

São muitas fontes, muitas sugestões. Tentei fazer um apanhado geral entre as que são apresentadas em um estudo, em um folder do Centro de Saúde-Escola do Butantã (FMUSP), da ANVISA, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (Goiás), do blog Conversando com o Pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Resumindo? Não. Se resumisse não era eu, né?

  1. Conheça o produto, leia o rótulo, converse com seu pediatra ANTES de usar qualquer método de proteção contra picada de insetos.
  2. Siga as recomendações do fabricante quanto à idade, forma de uso e de conservação do produto.
  3. Nunca use repelente abaixo de 2 meses de idade; usar apenas o que é recomendado para a idade ( a maioria acima de 2 anos de idade).
  4. Por mais seguro que possa parecer, mantenha sempre os repelentes longe do alcance das crianças.
  5. Nunca deixe a criança aplicar o produto. Elas podem levar as mãos aos olhos ou à boca, causando transtornos piores até do que as consequências das picadas. O produto deve SEMPRE ser aplicado por um adulto.
  6. O uso conjunto do repelente com o protetor solar diminuiu a eficácia dos dois produtos. Aplique primeiro o protetor, aguarde 15 a 20 minutos para a absorção e só aí use o repelente.
  7. NÃO USAR:
    - em pele irritada ou infeccionada;
    - próximo aos olhos, boca, narinas e genitais;
    - embaixo das roupas;
    - para dormir à noite.
  8. Siga a recomendação do fabricante e aplique a quantidade suficiente, de forma generosa, repetindo a aplicação nos intervalos sugeridos.
  9. Passe em toda a área exposta do corpo.
  10. Se for aplicar no rosto da criança, aplique o produto nas mãos e espalhe no rosto da criança, com cuidado e atenção a narinas, olhos e boca. Lembre-se que a área protegida pela aplicação é de 4 cm.
  11. Sempre lave as mãos após aplicação do repelente.
  12. Em locais mais quentes e mais úmidos, a aplicação deve ser feita com mais frequência, pois a duração do efeito é menor. Mas atenção às recomendações do fabricante quanto ao número máximo de aplicações diárias.
  13. Em caso de reações alérgicas, irritações na pele, intoxicações, lave a região com água corrente. A seguir, entre em contato com um serviço de controles de intoxicações (Em São Paulo : CCI ou CEATOX), informando idade e peso do paciente, como e há quanto tempo foi o contato com o produto, informações sobre o produto (embalagem em mãos), número de telefone para contato e os sintomas do paciente. 

Concluindo

Apesar das maravilhas de se viver em um país tropical, “abençoado por Deus e bonito por natureza”, nem tudo por aqui são flores.

A alta incidência de exposição a insetos, mosquitos, que podem ou não transmitir doenças, especialmente no verão (clima quente, úmido) pode quebrar o clima de férias e trazer consequências desastrosas, como as que temos observado quando se fala em dengue, por exemplo.

Há uma grande expectativa para a chegada da vacina contra dengue, prevista para final de 2015. Mas até lá e mesmo depois disso, nossa responsabilidade permanece nos cuidados básicos, que não são muitos, mas são fundamentais.

As medidas físicas são as mais importantes para bebês até 6 meses e gestantes. O uso correto dos repelentes, seguindo-se as normas de segurança, podem ajudar nessa proteção. 

Em épocas de epidemia de doenças transmitidas por insetos, só as ações individuais não são suficientes. É fundamental que se tomem medidas socioambientais coletivas, visando a erradicação e a não-proliferação dos insetos. Ou todos nós colaboramos, com apoio de medidas sérias dos órgãos governamentais responsáveis, divulgação apropriada da mídia, ou então teremos cada dia mais mortes por doenças evitáveis no mundo como a dengue, a malária e outras.

Fontes

ANVISA e a RDC19/2013

FMUSP – Centro de Saúde-Escola Samuel Pessoa (Butantã)

Guia dos Curiosos

Revista Paulista de Pediatria

Site da Dengue

Sociedade Brasileira de Dermatologia (Goiás)

Sociedade Brasileira de Pediatria – Conversando com o Pediatra

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