Filhos mais velhos e o acúmulo de responsabilidades
Com certeza você já ouviu falar que não importa o filho, o amor é sempre igual, como se cada filho fosse um dos dedos da mão: parecidos, mas cada um diferente do outro.
Saiba que um estudo de comportamento realizado pelo Centro de Desenvolvimento Adulto da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, comprovou que, dentro da hierarquia familiar, cada irmão costuma ter um perfil definido, com características próprias.
A análise define pontos que costumam marcar as personalidades de filhos mais velhos, do meio e caçulas. Os primogênitos são os mais cobrados pela família para serem sérios e responsáveis.
No Brasil não é diferente. Além de serem mais pressionados, os filhos mais velhos são, muitas vezes, responsáveis pelo bem-estar dos irmãos mais novos e por muitas das tarefas domésticas. O fato tornou-se mais comum com a emancipação da mulher.
Acumulando as funções de mães, donas-de-casa e profissionais, o tempo para realizar cada atividade ficou menor. Sendo assim, muitas obrigações passaram a ser direcionadas aos filhos mais velhos. Quando a diferença de idade é muito grande, a prática é ainda mais evidente.
Dependendo do grau de responsabilidade que os pais exigem dos pequenos, a colaboração por parte do irmão mais velho pode ser produtiva ou não para o seu desenvolvimento. Direcionar tarefas complexas demais para a fase em que a criança se encontra ou exigir além de sua capacidade e maturidade pode ser extremamente prejudicial para o crescimento do primogênito.
De acordo com a psicóloga e fundadora do Clube das Mães da Baixada Santista (entidade responsável por palestras sobre temas à infância), Maria Stella Cabaz Tavares, a relação de mais responsabilidade exigida do irmão mais velho é naturalmente estabelecida pelos pais. “A intensidade é que varia, de acordo com a expectativa de cada casal”.
Segundo ela, em famílias que passam pela experiência do divórcio, muitas vezes o filho acaba colocando-se (ou sendo colocado) no lugar do pai e a filha, no lugar da mãe. “Vale lembrar que é essencial aos primogênitos saírem para trabalhar primeiro ou mesmo contribuir em casa, seja com dinheiro ou com qualquer outra ajuda. A forma como os pais administram essa contribuição é que a qualifica como produtiva ou não”, esclarece a psicóloga.
A pressão desse tipo de responsabilidade exagerada pode criar na criança uma angústia de quem precisa “dar conta do recado". Ela sente que, caso não realiza todas as tarefas perfeitamente, algo muito ruim pode acontecer, fato que deixará o pequeno da família extremamente culpado. Isso pode causar graves conflitos internos e a chamada síndrome do irmão mais velho.
É importante salientar que, quando a ajuda é ocasional, com tarefas pertinentes à idade e à maturidade da criançada, ela será um excelente exercício para a responsabilidade da vida adulta.
Bruno Thadeu
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