Banho de Sol: toda criança precisa?

Antes sim, agora não?

O "banho de sol" para bebês foi uma recomendação durante décadas. Na maioria das vezes essa recomendação era feita para bebês que tinham icterícia leve ou apenas porque era considerado saudável, mas isso mudou.

Banho de Sol para Icterícia?

A icterícia não é mais tratada com "banhos de sol" mas com "banho de luz" ou fototerapia. Essa fototerapia é realizada na maternidade ou estabelecimento próprio indicado pelo pediatra. O banho de sol não é mais indicado para o tratamento da icterícia porque não há evidências de seu benefício e também porque a exposição ao sol traz mais riscos ao bebê do que o suposto benefício. A maioria das ictericias são leves e regridem sozinhas até o décimo dia de vida do bebê, portanto não há necessidade alguma de banho de sol.

Banho de Sol e os benefícios à saúde do bebê

A maioria das pessoas sabe que o sol é um importante agente na produção de vitamina D, porém ignora os riscos da exposição solar relacionados, principalmente, ao câncer de pele. Sendo o Brasil um país tropical e com altos índices de radiação solar esses riscos são enormes e as consequências graves.

Por conta desse benefício na produção da vitamina D, sempre se ouviu falar que é bom tomar banho de sol, mas isso mudou a partir de 2013 quando a Sociedade Brasileira de Dermatologia publicou o Consenso Brasileiro de Fotoproteção

O consenso hoje é que ninguém deve tomar banho de sol sem proteção, seja em qual horário for. Ou seja, se vai se expor ao sol a pessoa deve se proteger, seja com cremes ou loções protetoras ou através de roupas e chapéus.

Crianças abraçadas na praia - foto: Alena Ozerova/ShutterStock.com

O que fazer então? Deixar o bebê trancado dentro de casa?

Não, seu bebê não precisa ficar trancado dentro de casa, ele poderá fazer passeios diários mas algumas critérios precisam ser observados.

  • Bebê de até 6 meses de idade não pode utilizar filtro solar (cremes ou loções) mesmo que na embalagem esteja escrito que é "kids" ou "baby";
  • Bebês e crianças não devem ser expostos ao sol entre 10 horas e 15 horas (se for horário de verão, restrição até as 16 horas);
  • Bebês com menos de 6 meses devem ficar protegidos à sombra;
  • Bebês com mais de 6 meses podem utilizar filtro solar (cremes ou loções) preferencialmente os "kids" ou "baby".
  • O filtro solar deve ser no mínimo FPS 30;
  • O filtro solar deve ser aplicado entre 15 e 30 minutos antes da criança ser exposta ao sol;
  • O filtro solar deve ser aplicado duas vezes, uma seguida da outra, ou seja, você espalha o filtro no corpo e logo em seguida faz uma nova aplicação; E sempre que se passar 2 horas após a última aplicação, aplique novamente o filtro solar; Caso a criança entre na água o filtro solar deve ser reaplicado imediatamente, mesmo que ainda não tenha se passado as 2 horas;
Outras observações:

  • Deve-se estimular o uso de chapéus ou bonés e roupas sempre que a criança for exposta ao sol.
  • Mesmo em dias nublados ou chuvosos deve-se proteger a pele pois os raios UV do sol são capazes de ultrapassar as nuvens.

Mas e a vitamina D, meu filho vai ficar com deficiência dessa vitamina se não tomar sol?

Se o seu filho ficar trancado 24 horas por dia durante semanas dentro dentro de casa, é possível sim que ele tenha uma deficiência de vitamina D, porém esse cenário é improvável.

Os estudos citados no consenso demostram que uma pessoa que se exponha ao sol apenas 2 vezes por semana, por apenas 10 minutos, e ainda por cima somente as mãos e a pele do rosto sejam atingidas pelo sol, já será o suficiente para que o indivíduo tenha a quantidade necessária de vitamina D garantidas.

Percebe-se então que com quase nada de exposição ao sol se obtém o necessário.

Lembrando que essa exposição ao sol deve ser realizado com filtro solar aplicado sobre a pele.

Alternativas ao sol para obter a vitamina D

O consenso defende que as pessoas não devem se expôr ao sol com o objetivo de obter a vitamina D. Mas se o fizer, deve ser feita sempre com o uso de filtro solar.

Como alternativa ao sol existem dietas e suplementos que são capazes de manter os níveis adequados de vitamina D no organismo. Porém isso somente será recomendado pelo médico após exames que detectarão se a pessoa está ou não com deficiência dessa vitamina D.

Mas eu vejo matérias que os médicos falam que devemos tomar o banho de sol sem proteção solar para obter a vitamina D. O que fazer?

O Consenso Brasileiro de Fotoproteção da Sociedade Brasileira de Dermatologia é relativamente recente e portanto ainda vai enfrentar alguma resistência por diversos profissionais, ou seja, muitos médicos e especialistas ainda irão contradizer o consenso, afirmando que se deve tomar o sol sem proteção solar para que se obtenha a vitamina D.

Mas por que então seguir o consenso e não a ideia anterior de sol sem proteção solar para obter a vitamina D?

O que o consenso defende é que ninguém consegue realizar uma proteção solar 100% efetiva, sendo assim, contando com essa ineficiência na proteção solar individual, aquilo que escapa já será suficiente para a produção de vitamina D.

É fácil defender essa tese, uma vez que é raro observar as pessoas se protegerem em dias nublados ou chuvosos. Também é raro as pessoas passarem filtro solar para ir trabalhar, estudar e ainda por cima renovarem a aplicação do filtro a cada 2 horas. Portanto, se expôr ao sol intencionalmente para obter a vitamina D sem proteção solar é desaconselhável.

Mas o que pode acontecer se expor um bebê ou criança ao sol sem proteção?

Poderá ocorrer apenas uma elevação de temperatura da pele até uma queimadura grave. Além disso, a exposição ao sol poderá desencadear algumas doenças de pele e o mais grave de tudo é que ao longo do tempo poderá provocar o câncer de pele.

O que todos nós devemos entender é que o sol tem efeito cumulativo sobre a pele, ou seja, ele causa um dano hoje como uma bronzeamento e depois esse efeito some e parece que a pele se recompôs e aquele dano foi jogado fora, mas não é isso que ocorre. Superficialmente o dano desaparece mas em uma camada invisível ao nosso olho o dano fica marcado. Com exposições ao sol seguidamente durante anos, esses danos vão aumentando provocando desde um envelhecimento precoce da pele até um câncer de pele, portanto a exposição do sol que seu filho é submetido hoje poderá contribuir daqui uns anos para que venha a ter algum problema de pele, simples ou grave.

Então não podemos mais levar nossos filhos à praia?

Poder, pode. Mas com cuidados extremos.

Se o seu filho tem mais 6 meses de idade

De preferência antes das 10 horas da manhã ou depois das 16 horas. Com filtro solar de no mínimo FPS 30. Passar a cada 2 horas ou sempre após ele sair da água. Usar bonés ou chapéus. Manter um guardo-sol aberto.

Se o seu filho tem menos de 6 meses

Não expô-lo ao sol de jeito algum. Deverá estar sempre debaixo de uma sombra. E atenção: a areia da praia reflete o sol, sendo assim, procure uma sobra grande, ou seja, que o bebê fique bem longe da parte onde termina a sombra. Também é importante que esteja com roupa e chapéu ou boné.

Apenas a sombra de guarda-sol não será eficiente para proteger um bebê, por isso é importante o uso de roupas e bonés.

Mas isso não é radical demais? Não se você considerar que estamos falando de apenas 6 meses da vida de seu bebê. Não nos parece que seja mais importante ir à praia com um bebê com menos de 6 meses do que esperar para fazer isso após esse período com maior segurança para ele.

Mas eu vi no consenso que se o Índice de UltraVioleta estiver entre 1 e 2 não é preciso usar nenhum tipo de proteção solar. Isso é verdade?

Sim, é verdade. Porém isso vai depender da cor da pele de cada pessoa e principalmente que essa pessoa verifique todos os dias qual é o Índice UltraVioleta para sua cidade ou região naquele dia.

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